Na 17ª Cúpula do BRICS, realizada no último domingo, os países membros firmaram um compromisso coletivo para promover o uso responsável e acessível da inteligência artificial (IA). O documento oficial destaca a importância de uma governança global que respeite a diversidade econômica e social dos países, buscando evitar a concentração de poder tecnológico em poucas mãos e garantir que a inovação impulsione o desenvolvimento sustentável e inclusivo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou a urgência de democratizar o acesso às tecnologias digitais, criticando a centralização do controle da IA em conglomerados privados e nas nações mais poderosas. Para Lula, é fundamental que a evolução tecnológica não se transforme em instrumento de manipulação econômica ou política por grupos restritos, mas que envolva a participação ativa do setor privado, da sociedade civil e dos governos em uma governança transparente e colaborativa.
O documento enfatiza a necessidade de fomentar a colaboração científica internacional e o desenvolvimento de plataformas de IA abertas, acessíveis de forma equitativa, evitando barreiras regionais e desigualdades tecnológicas. Além disso, destaca a relevância de uma regulamentação sólida para promover concorrência justa, proteger direitos de propriedade intelectual e assegurar a privacidade dos dados — combatendo práticas abusivas e a extração indevida de informações.
Outro ponto crucial abordado pelo bloco é o impacto social da automação. Os países membros reconhecem a necessidade de proteger os trabalhadores cujas atividades serão transformadas ou substituídas pela tecnologia, assegurando medidas de adaptação e inclusão. A carta também ressalta a importância de combater os vieses algorítmicos e a disseminação de desinformação, propondo a criação de ferramentas que detectem rapidamente conteúdos falsos e promovam a alfabetização digital como forma de fortalecer a resiliência social. “Embora a inteligência artificial ofereça oportunidades transformadoras em diversos setores, é essencial equilibrar o avanço tecnológico com considerações éticas, sustentáveis e inclusivas”, afirma Bruno Nunes, CEO da Base39 e especialista em tech.
O BRICS também sinaliza a intenção de fortalecer sua infraestrutura digital própria, com destaque para o estudo proposto por Lula sobre a instalação de cabos submarinos que conectem os países do bloco. A iniciativa visa garantir maior segurança, autonomia e soberania na troca de dados, reduzindo a dependência de redes controladas por potências externas. O documento reflete uma visão estratégica que busca não apenas mitigar riscos, mas também posicionar os países emergentes na vanguarda do desenvolvimento tecnológico global.
Caso tenha interesse na pauta, basta nos avisar que faremos a ponte com o executivo/especialista para uma entrevista.
