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Erro deixa de ser falha e vira estratégia de aprendizagem nas escolas

Modelo que integra avaliação formativa, esporte e desenvolvimento socioemocional ganha força no Brasil e aposta no erro como ferramenta para autonomia, resiliência e aprendizado profundo

Por ETC Comunicação
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Erro deixa de ser falha e vira estratégia de aprendizagem nas escolas,

Durante décadas, o erro foi tratado como um sinal de fracasso dentro da escola. Provas, notas e avaliações carregavam um peso punitivo, reforçando a ideia de que acertar era o único caminho válido para o sucesso. Hoje, no entanto, uma mudança consistente no campo educacional começa a reposicionar esse conceito: errar passou a ser entendido como parte essencial do processo de aprendizagem.
Esse movimento ganha respaldo em estudos recentes. O relatório “Global Education Monitoring Report 2023”, publicado pela UNESCO em novembro de 2023**, destaca que sistemas educacionais mais eficazes são aqueles que promovem avaliação contínua, feedback estruturado e oportunidades de revisão, que são elementos diretamente ligados à aprendizagem significativa. Já a pesquisa “The Science of Learning and Development” (2024), conduzida pelo Learning Policy Institute, reforça que ambientes que incentivam a tentativa, o erro e a reflexão aumentam o engajamento e a retenção de conhecimento.
É dentro desse contexto que algumas instituições têm adotado práticas que colocam o erro no centro do processo pedagógico. Na Heavenly International School, por exemplo, a proposta se traduz no slogan: “Learning begins where perfection ends”, que significa “aprender começa onde termina a perfeição”.
Durante o mês de abril, período marcado pela entrega de boletins, reuniões pedagógicas e intensificação das atividades acadêmicas, a escola evidencia um modelo que trata a avaliação como ferramenta formativa, e não apenas classificatória. O foco deixa de ser o resultado final e passa a ser o percurso do aluno.
Segundo o diretor Marcello Lasneaux, a avaliação formativa é estruturada como um processo contínuo e intencional. “Na prática, as atividades são pensadas para conectar conhecimentos e permitir que o aluno compreenda seu próprio processo de aprendizagem. O feedback constante é o que desenvolve a metacognição — a capacidade de refletir sobre o que se aprendeu, identificar falhas e traçar estratégias de melhoria”, explica.
Um dos principais instrumentos dessa abordagem é o retake, prática que permite ao estudante revisar conteúdos, participar de monitorias e refazer atividades com base em feedbacks estruturados. Diferente de uma simples segunda chance, o processo exige envolvimento ativo e responsabilidade.
“O retake é o pilar da nossa cultura de errar com responsabilidade. Ele não serve para adiar o compromisso, mas para fazer melhor a partir da falha. O aluno precisa demonstrar esforço, participar de monitorias e mostrar que entendeu onde errou”, afirma Lasneaux.
Esse modelo dialoga diretamente com outra frente importante da formação escolar: o esporte. Nos treinos esportivos intensificados, comuns nesse período do calendário, o erro é parte natural do desenvolvimento. Ajustar movimentos, repetir exercícios e evoluir a partir de feedbacks são práticas esperadas, e que encontram paralelo no ambiente acadêmico.
“Existe um paralelo direto entre o treino esportivo e a aprendizagem. Ambos exigem repetição, resiliência e gestão da frustração. Levamos essa mentalidade para a sala de aula, o que ajuda o aluno a desenvolver autorregulação e disciplina”, destaca o diretor.
Essa integração fortalece competências socioemocionais como autorregulação, resiliência e gestão da frustração. Segundo o estudo “Early Learning and Child Well-being” (2020) da OECD, essas habilidades estão diretamente associadas a melhores resultados acadêmicos e maior sucesso ao longo da vida.
Na prática, isso significa ensinar o aluno a compreender o próprio erro: identificar onde falhou, entender as causas e agir de forma consciente para melhorar. Mais do que conteúdo, aprende-se método e, sobretudo, autonomia.
Os efeitos dessa abordagem já são perceptíveis no comportamento dos estudantes. “Vemos um aumento do protagonismo responsável e uma redução da ansiedade diante do novo. Quando o aluno entende que pode falhar, ele deixa de se esconder e passa a se engajar mais”, afirma Lasneaux . Ele acrescenta que o erro deve ser compreendido como parte do processo cognitivo: “É como um GPS interno recalculando a rota. Quando o aluno entende o erro, o cérebro reorganiza conexões e consolida o aprendizado”.
Para ampliar esse entendimento, a escola também promove encontros com famílias, como a palestra “Como a Heavenly avalia para ensinar”, além de materiais explicativos sobre o funcionamento das monitorias e do retake. Em alguns momentos, atletas convidados compartilham experiências reais sobre disciplina e superação, reforçando a conexão entre esforço, erro e evolução.
A mensagem é clara: avaliar não é rotular, é orientar. E aprender a errar com responsabilidade pode ser uma das competências mais relevantes da formação contemporânea.
Ao integrar avaliação acadêmica, prática esportiva e desenvolvimento socioemocional, esse modelo reforça uma cultura de crescimento contínuo, em que o sucesso não está na ausência de erros, mas na capacidade de aprender com eles. “Porque, no fim, quem aprende a errar bem, aprende a vencer melhor”, conclui.
Serviço: 
Unidade Kinder Lago Sul
SHIS QI 19 chácara 18, Brasília – DF – 71.655-730
Unidade High Lago Sul
SHIS QI 17/19 S/N – Lote Seminário, Brasília – DF – 71.645-600
Unidade Asa Norte
SGAN 606 módulo A – Asa Norte, Brasília – DF, 70.830-251

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