A escleroterapia, procedimento utilizado para tratar “vasinhos” e pequenas varizes, voltou ao centro do debate público após novos casos de complicações relacionados à realização inadequada da técnica chegarem às páginas de notícias policiais. A trivialização da técnica, cada vez mais popular nas redes sociais e em clínicas estéticas, ligou o alerta máximo na Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) para os riscos de desinformação e falta de acompanhamento adequado.
Frequentemente divulgado como um procedimento simples e rápido, a técnica ainda exige avaliação vascular adequada, diagnóstico médico e acompanhamento especializado. Segundo o diretor de Defesa Profissional da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), Dr. Eraldo Arraes, os especialistas médicos já atuam em conjunto aos conselhos profissionais e à Justiça para combater esta prática ilegal da medicina.
“A SBACV avalia esse cenário com extrema preocupação. A escleroterapia é um procedimento invasivo que exige diagnóstico médico prévio. A banalização do tratamento e a realização por profissionais sem formação específica colocam vidas em risco”, afirma Dr. Eraldo Arraes.
Morte sob investigação
Este mês, uma mulher veio a óbito durante um procedimento para tratamento de varizes, no interior de São Paulo. Ainda sob investigação das autoridades, o episódio reacendeu discussões sobre segurança, qualificação profissional e os riscos relacionados à realização inadequada da técnica.
O tema também ganhou repercussão após posicionamentos recentes do Conselho Federal de Medicina (CFM) reforçando que a escleroterapia é um procedimento invasivo e deve ser realizada exclusivamente por médicos habilitados. Segundo o diretor de Defesa Profissional da SBACV, as indicações corretas para o procedimento dependem de uma aferição individualizada e, em muitos casos, da realização de exames complementares, como o ecodoppler vascular.
“A escleroterapia é um procedimento utilizado para tratar vasos superficiais, como telangiectasias e pequenas varizes, mas a indicação correta depende de avaliação clínica e, muitas vezes, de exame vascular complementar”, explica o especialista.
Quando os “vasinhos” escondem problemas mais profundos
De acordo com a SBACV, um dos principais riscos está justamente na banalização do tratamento como um procedimento exclusivamente estético. Isso porque alterações vasculares aparentes podem ser sinais de doenças venosas mais complexas e que precisam de investigação adequada.
“Muitas pessoas associam o tratamento de ‘vasinhos’ apenas à estética, mas existem doenças venosas que podem estar por trás dessas alterações. Quando o procedimento é realizado sem avaliação vascular adequada, o paciente pode receber um tratamento inadequado ou mascarar uma insuficiência venosa mais importante”, alerta Dr. Eraldo Arraes.
Além de comprometer o diagnóstico correto, a realização inadequada da escleroterapia pode provocar complicações como manchas permanentes, queimaduras químicas, necrose da pele, trombose, infecções, reações alérgicas e até eventos mais graves em situações raras.
Casos recentes reacendem debate sobre qualificação profissional
Os episódios recentes envolvendo complicações após procedimentos vasculares também reacenderam o debate sobre a realização da escleroterapia por profissionais sem formação específica em angiologia e cirurgia vascular. Para a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, o crescimento de cursos rápidos e treinamentos voltados a profissionais sem especialização médica adequada tem contribuído para o aumento das intercorrências relacionadas ao procedimento.
“Estamos atuando junto aos conselhos profissionais e à Justiça para combater a prática ilegal da medicina e reforça que tratamentos vasculares devem ser realizados por médicos com formação adequada em angiologia ou cirurgia vascular”, explica o diretor da SBACV.
Como identificar um profissional habilitado
A SBACV orienta que os pacientes observem alguns sinais de alerta antes de realizar o procedimento. Entre eles estão ausência de avaliação clínica detalhada, promessas de resultados milagrosos, preços muito abaixo do mercado, realização do procedimento sem exames complementares e clínicas sem estrutura adequada para atendimento de possíveis complicações.
Outro ponto importante é verificar se o profissional possui Registro de Qualificação de Especialista (RQE) em Angiologia e/ou Cirurgia Vascular. “Ter apenas o CRM não garante que o médico possui especialização na área vascular. O paciente pode consultar o RQE e buscar profissionais habilitados para garantir mais segurança durante o tratamento”, reforça o diretor da SBACV.
A população também pode consultar o site oficial da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular, que disponibiliza uma ferramenta pública para busca de especialistas certificados em todo o país. A SBACV reforça ainda que a avaliação adequada é fundamental para reduzir riscos, garantir um diagnóstico correto e aumentar a segurança durante o tratamento vascular.

