A Praça dos Orixás voltou a demonstrar sua força como espaço de encontro, celebração e resistência cultural durante o lançamento do Circuito Praça Afro-Candanga, realizado no último domingo (7/6).
Reunindo grupos culturais, lideranças religiosas, artistas, agentes culturais e integrantes da comunidade, a ocupação reafirmou a importância histórica, espiritua e cultural do território para as culturas de matriz africana do DF. O Instituto Rosa dos Ventos também acaba de lançar o Seletor Rede Viva – Circuito Praça Afro-Candanga, para ocupação da praça nas próximas edições do projeto. As inscrições seguem até 30 de junho.
A largada do Circuito
Mais do que marcar o início de uma programação cultural mensal, o encontro evidenciou a potência da praça quando ocupada pela comunidade e reforçou a mobilização pela sua revitalização. Ao longo do dia, houve oficina de Agbê com o grupo Zenga Baque Angola, seguida pela apresentação do grupo; a roda de conversa Maracatu, Terreiro e Resistência Negra, com Mestra Joana (PE); e o encerramento do 9º Encontro Nacional Baque Mulher, comandado pela mestra pernambucana.
“Hoje, esse espaço é de resistência. Foram muitas tentativas de tirar nossos povos de matriz africana desse território. Estar aqui, para mim, é muito significativo. É a gente saindo do discurso e indo para a prática”, destacou a mestra.
“As ocupações do Circuito vão além da programação cultural. Nós, Ialorixá e detentoras do espaço, estamos elaborando junto à comunidade dos povos de terreiro, a criação de um herbário na praça. É uma forma de trazer para os adeptos da nossa fé e para toda a sociedade os saberes ancestrais ligados às plantas usadas tanto medicinalmente, quanto em rituais das religiões de matriz africana”, afirma a fundadora do Mãe Cícera d’Oxum, líder do Templo Espiritual Rosa Branca, em Samambaia.
Localizada às margens do Lago Paranoá, a Praça dos Orixás é reconhecida como um espaço sagrado para as religiões de matriz africana e um importante símbolo da presença negra na construção da identidade cultural de Brasília. Ao longo dos anos, tornou-se referência para celebrações religiosas, manifestações culturais e encontros comunitários ligados às tradições afro-brasileiras.
Apesar de sua importância, a praça ainda enfrenta desafios relacionados à infraestrutura, manutenção, preservação e valorização do território. Questões como conservação das estátuas dos Orixás, melhorias de acessibilidade, limpeza, segurança patrimonial e investimentos permanentes seguem entre as reivindicações da comunidade que utiliza e defende o espaço.
A cada primeiro domingo do mês, a praça será palco de um ensaio aberto com uma atração da cultura afro-brasileira, como Maracatus, afoxés, capoeiras e sambas. ?Nossas tradições populares ocuparão nossa praça como oportunidade para compartilhar saberes, celebrar nossas raízes e promover conversas sobre a importância de vivenciar nossas expressões e identidade brasileira”, informa Stéffanie Oliveira, presidente do Instituto Rosa dos Ventos, que realiza o Circuito Praça Afro-Candanga, em parceria com a Fundação Banco do Brasil (FBB).
Seletiva Rede Viva
A Seletiva Rede Viva – Circuito Praça Afro-Candanga surge como uma estratégia de fortalecimento da mobilização social em torno da praça. A proposta não substitui a necessidade de políticas públicas estruturantes ou de investimentos em revitalização, mas busca contribuir para manter o território em evidência, ampliando sua ocupação cultural e fortalecendo as redes que lutam pela sua preservação.
O projeto está com inscrições abertas para grupos, coletivos, artistas, mestres, mestras, agentes culturais e representantes de tradições populares e afro-brasileiras interessados em integrar as próximas edições do Circuito. A proposta é construir uma programação diversa e participativa, fortalecendo o protagonismo das comunidades que mantêm viva a história e a vocação cultural do território. As inscrições devem ser feitas pelo formulário eletrônico, até 30 de junho.
“Cada atividade realizada aqui reforçará a importância de preservar esse território e de avançar na luta por melhores condições de uso, manutenção e valorização da praça”, assinala Stéffanie.
Realizado pelo Instituto Rosa dos Ventos, em parceria com a Fundação Banco do Brasil, o Circuito Praça Afro-Candanga promoverá ocupações culturais mensais até dezembro, sempre no primeiro domingo de cada mês, contribuindo para ampliar a visibilidade do território e fortalecer o movimento coletivo pela sua revitalização.
Serviço – Chamamento público – Circuito da Praça Afro-Candanga
Inscrições: https://docs.google.com/forms/
Prazo: até 30 de junho
