Duas das maiores referências da capoeira brasileira estarão no Distrito Federal para compartilhar conhecimentos e vivências com o público durante a programação de julho do projeto Mulheres Fortes. Em celebração ao Mês Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, a iniciativa recebe a Mestra Arara (RJ), nos dias 18 e 19 de julho, e a Mestra Lilu (BA), no dia 25 de julho, em encontros gratuitos realizados na Associação Cultural Arena Capoeira, no Riacho Fundo 1.
Reconhecidas por suas trajetórias e contribuições para a história da capoeira no Brasil, as duas mestras conduzirão vivências voltadas à troca de saberes, ao fortalecimento da cultura popular e ao protagonismo feminino dentro da expressão cultural que une história, música e dança. Os encontros propõem um espaço de aprendizado, diálogo e acolhimento, reunindo diferentes gerações em torno de uma prática marcada pela resistência, ancestralidade e construção coletiva. As mulheres são o foco do projeto, mas toda a comunidade pode participar dos encontros. As inscrições gratuitas podem ser feitas pelo formulário eletrônico.
Mestra Arara diz que trará para a vivência a sua história e sua ancestralidade dentro da capoeira, além dos aprendizados com a Mestra Cigana, uma lenda da capoeira. “Acredito na capoeira como uma arte, uma cultura feminina. Eu sempre tive a mesma mestra. Temos um legado feminino direto muito grande dentro do nosso grupo, dentro da nossa história. Sempre quero falar para as outras meninas e mulheres que elas não estão sozinhas, e nunca vão estar, porque temos um legado forte de mulheres que vem com uma história muito pesada, onde soubemos driblar todo esse sistema. ”, conta a mestra.
A Mestra Lilu acredita na transformação por meio da música, do diálogo e do movimento. “A minha maneira de vivenciar a capoeira e de transmiti-la está sempre alicerçada em três eixos: musicalidade na transmissão da capoeira, movimentação e conversa. Temos aí muitas possibilidades que se abrem se estivermos atentos. As histórias de vida são a maior arma contra a opressão”, assinala a capoeirista.
Lives temáticas
Além das atividades presenciais, a programação inclui uma série de lives temáticas transmitidas pelo perfil do Mulheres Fortes no Instagram. Os encontros virtuais ampliam o alcance do projeto ao abordar manifestações tradicionais ligadas ao universo da capoeira e da cultura popular. A agenda contempla uma live sobre Coco de Zambê, nesta quarta-feira (15/07); sobre Maculelê, em 20 de julho; e sobre Samba de Roda, em 22 de julho, promovendo o compartilhamento de conhecimentos e experiências com participantes de diferentes localidades. Os três encontros virtuais ocorrem às 20h.
Durante todo o mês de julho, o Mulheres Fortes também realiza uma campanha de arrecadação de alimentos não perecíveis, que serão destinados a mães em situação de vulnerabilidade social. A iniciativa reforça o compromisso do projeto com a solidariedade e o fortalecimento das redes de apoio entre mulheres, ampliando o impacto social das ações desenvolvidas.
A programação será encerrada com um batizado de capoeira, celebrando a trajetória construída ao longo do projeto e reafirmando o papel das mulheres na preservação das tradições, na luta por direitos e na transformação social.
O batizado é formatura dos alunos e alunas iniciantes que participaram das oficinas no decorrer do projeto. A Troca de Cordas é para os alunos mais antigos que se destacaram ao longo do treinamento e recebem uma graduação maior. Esse momento é uma das tradições mais importantes da capoeira. O batizado marca o momento em que novos integrantes são acolhidos oficialmente e praticantes mais experientes recebem suas graduações, reconhecendo sua evolução, compromisso e dedicação.
Mulheres Fortes
Criado a partir de uma experiência pessoal de luto e reconstrução, o projeto nasce do desejo de criar redes de apoio entre mulheres. “Arara e Lilu são duas potências femininas da capoeira brasileira. Recebê-las no nosso projeto é uma honra e demonstra que o nosso território também tem o potencial de ser um celeiro de grandes talentos na capoeira”, afirma Elisete Pereira, criadora e coordenadora da iniciativa.
Idealizado para promover o empoderamento feminino por meio da capoeira, o Mulheres Fortes valoriza a cultura, o diálogo, a solidariedade e a proteção entre mulheres. Ao longo do primeiro semestre, o Mulheres Fortes promoveu oficinas gratuitas de capoeira conduzidas pela Contramestra Kekel e pela Monitora Guerreira, além de seis edições dos Diálogos de Paz, encontros formativos mediados pela coordenadora Elisete Pereira. As rodas reuniram mulheres inspiradoras da comunidade do Riacho Fundo para compartilhar experiências, incentivar o diálogo e fortalecer vínculos comunitários.
O projeto é realizado pelo Arena Lutas, Bando Matilha Capoeira, conta com recursos do Fundo de Apoio à Cultura e apoio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF (Secec – DF).
Serviço – Mulheres Fortes – Vivências com Mestra Arara e Mestra Lilu
Vivências de Capoeira
Local: Associação Cultural Arena Capoeira – Setor de Chácaras, Colônia Agrícola Riacho Fundo I, Kanegae, Chácara 29, Lote 15
18 e 19 de julho – Vivências com Mestra Arara (RJ), às 14h
25 de julho – Vivência com Mestra Lilu (BA), às 14h
Lives temáticas (Instagram do projeto Mulheres Fortes)
15 de julho– Coco de Zambê, às 20h
20 de julho – Maculelê, às 20h
22 de julho – Samba de Roda, às 20h
Batizado Arena Capoeira | Distribuição de Cestas Básicas
24 e 25 de julho | 16h às 22h
