O som grave que sustenta o ritmo e conduz os cortejos do Maracatu de Baque Virado será o foco da próxima atividade do projeto Ecos Ancestrais. Neste domingo (19/7), às 10h, a Casa de Cultura do Guará recebe uma oficina gratuita de tambor ministrada pela percussionista, educadora e agente da cultura popular Alê Rosa. As inscrições podem ser realizadas pelo link disponível na bio do perfil do Zenga Baque Angola no Instagram.
Considerado o coração da percussão no maracatu-nação, o tambor estabelece a pulsação que organiza toda a construção musical. É por meio dos seus sons graves que o baque ganha força, sustentando o diálogo com caixas, gonguês, agbês e demais instrumentos que compõem a manifestação.
Mais do que um instrumento musical, o tambor ocupa um lugar de profunda importância simbólica nas tradições afro-brasileiras. No contexto sagrado, ele é compreendido como um oráculo, um instrumento de comunicação que transita entre o mundo físico e o espiritual, convocando a ancestralidade e preservando memórias transmitidas entre gerações.
A oficina propõe uma vivência teórico-prática sobre o instrumento, apresentando fundamentos técnicos, dinâmicas coletivas e aspectos culturais que envolvem o toque do tambor no Maracatu de Baque Virado. A atividade é voltada tanto para pessoas que desejam conhecer o universo do maracatu quanto para percussionistas interessados em aprofundar seus conhecimentos.
A oficineira
À frente da formação estará Alê Rosa, percussionista, batuqueira, educadora e agente da cultura popular com quase duas décadas de atuação nas manifestações tradicionais de matriz afro-brasileira. Ao longo de sua trajetória, integrou importantes coletivos, como Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro, Orquestra Alada Trovão da Mata, Filhas de Oyá, Coco dos Encantados, Zenga Baque Angola e Tambor de Crioula Flores de São Benedito.
Sua pesquisa e atuação artística atravessam expressões como maracatu, coco, samba pisado e tambor de crioula, sempre com foco na transmissão de saberes, na valorização da ancestralidade e na potência coletiva dos tambores. Também participou de gravações de artistas como Élen Oléria, Mestra Martinha do Coco e Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro, além de desenvolver oficinas e ações formativas voltadas à preservação das culturas populares.
“Na oficina, iremos trabalhar o Baque Angola, criado pela Nação Leão da Campina, que traz sua linha de baque virado inspirado nos fundamentos de Angola. Nela iremos passar pela Luanda, pelo Martelo Seco, pelo Baque Parado Seco, pelo Samba Angola e suas nuances. A ideia é passar a introdução a esses baques, aprendendo Loas que reverenciam os ancestrais”, detalha Alê.

Alê Rosa – ft Pamela Rodrigues
Sobre o projeto
A oficina integra um ciclo formativo realizado pelo Zenga Baque Angola ao longo de 2026. O projeto promove oficinas sobre os diferentes instrumentos do Maracatu de Baque Virado, além de ações de confecção e manutenção de instrumentos, produção de figurinos e atividades de fortalecimento cultural do grupo. A programação inclui ainda encontros com convidados da Nação de Maracatu Leão da Campina, de Pernambuco, ampliando o intercâmbio entre Brasília e uma das mais tradicionais referências do maracatu-nação.
Zenga Baque Angola
Fundado em 2017, o Zenga Baque Angola nasceu a partir do encontro entre batuqueiros de Brasília e o mestre Hugo Leonardo, regente da Nação de Maracatu Leão da Campina. Desde então, o coletivo constrói uma trajetória de conexão entre o Distrito Federal e Pernambuco, mantendo vínculos culturais e espirituais com a tradição do maracatu-nação. O grupo é filiado à Nação Leão da Campina e recebe orientação espiritual da Mametu Nadja Baléginam, matriarca do terreiro Kaiangu Kia Ítembu e sacerdotisa do Candomblé Angola Goméia.
O Ecos Ancestrais é realizado pelo Grupo Zenga Baque Angola, com fomento do Fundo de Apoio à Cultura (FAC-DF) e da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec-DF).
Serviço – Oficina de Alfaia – Projeto Ecos Ancestrais
Quando: Domingo, 19 de julho, às 10h
Onde: Casa de Cultura do Guará
Inscrição: Gratuita, pelo formulário eletrônico: https://docs.google.com/forms/
Redes: https://www.instagram.com/

