O que faz de uma casa um lar? Em O Mundo na Palma da Mão, a artista visual Daniele Rodrigues parte dessa imagem tão familiar para falar de afeto, memória e pertencimento. Para Daniele, a casa vai além das paredes e do teto: é também abrigo, lembrança e lugar onde convivem força e vulnerabilidade.
Em esculturas de barro, pinturas e desenhos, a artista constrói um percurso que aproxima as linhas da palma da mão do mapa de uma metrópole, como se cada pessoa carregasse em si uma cidade feita de experiências e afetos.
Nascida em Luziânia, no Entorno do Distrito Federal, em 1999, Daniele é artista negra e periférica, graduada em Artes Visuais pela Universidade de Brasília (UnB). Sua pesquisa transita entre desenho, escultura e calcogravura, buscando nas relações entre corpo, memória e cidade caminhos para falar de identidade.
É desse encontro que nasce a mostra, organizada pela curadoria como uma geografia de afeto e memória. Ao percorrer as obras e se aproximar da materialidade do barro, o público é convidado a desacelerar e a revisitar sua própria ideia de lar. Como sugere a frase que acompanha a exposição, trata-se de um percurso “entre o barro que sustenta e a alma que transborda”.
Casas, paisagens e memórias
Entre os destaques está a série Cidade de Si, produzida entre 2022 e 2025. Composta por esculturas de casas em cerâmica, a série cria uma cartografia de pertencimento e identidade, na qual cada construção sugere uma dimensão sensível da experiência de habitar.
A exposição reúne ainda a pintura Sem Título (2025), que combina tinta acrílica, óleo e argila, além de uma obra em produção em 2026. A série de desenhos Memórias de Santarém – Alter do Chão (2025), em nanquim sobre papel, amplia o percurso da artista por paisagens e lembranças.
A programação inclui a oficina gratuita Desenho Coletivo, conduzida por Daniele Rodrigues e aberta ao público em geral. Informações sobre data e horário da atividade serão divulgadas pela galeria.
Sobre a curadoria
Lorani Ogo Urigwe é bacharel em Teoria, Crítica e História da Arte pela UnB e mestranda em Artes Visuais pela mesma instituição. Sua atuação contempla temas como a representação da mulher negra na história da arte, influências africanas e diásporas latinas.
Artista visual, curador e pesquisador com atuação em Brasília e Salvador, João Reis III é doutorando em Design pela UnB. Sua pesquisa aborda as relações entre criação visual, materialidade e design de experiências.
Marte Sakirabiat tem formação em Geografia e atuação ligada a movimentos sociais. Integra a Casa de Arapô na cultura ballroom, onde trabalha como performer e na criação de figurinos e cenários. Também é poeta e artista de colagem.
Serviço
Exposição: O Mundo na Palma da Mão
Artista: Daniele Rodrigues
Curadoria: Lorani Ogo Urigwe, João Reis III e Marte Sakirabiat
Visitação: de 31/10 a 14/12/26, de quarta a sábado, das 15h às 20h
Local: Galeria A Pilastra — Guará II
Endereço: QE 40, Rua 09, Lote 08 — Polo de Modas
Entrada: gratuita e livre para todos os públicos
Ação educativa: oficina Desenho Coletivo, com Daniele Rodrigues; com data e horário a serem divulgados pela galeria.