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Cinemas Negros e Educação Antirracista realiza 5ª sessão com filme sobre legado da capoeira angola e roda de conversa com mestres

Exibição gratuita do documentário “Dessa arte eu sei um pouco”, de Cled Pereira, acontece no Sertão Negro, em Goiânia, no sábado (31), às 17h

Por ETC Comunicação
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Cinemas Negros e Educação Antirracista realiza 5ª sessão com filme sobre legado da capoeira angola e roda de conversa com mestres

O Projeto Cinemas Negros e Educação Antirracista chega à sua quinta sessão com um mergulho no universo ancestral da capoeira angola. No sábado, 31 de maio, às 17h, o Cineclube Maria Grampinho recebe a exibição do documentário “Dessa arte eu sei um pouco”, dirigido por Cled Pereira. A sessão gratuita será seguida por uma roda de conversa com o diretor e nomes de referência na cultura afro-brasileira: Mestra Ana Maria (Grupo Só Angola), Mestre Guaraná (Sertão Negro), Mestre Vermelho (Grupo Só Angola) e Mestre Goyano (Grupo Barravento). A atividade acontece no Sertão Negro – Ateliê e Escola de Artes, em Goiânia, com entrada gratuita.

O documentário “Dessa arte eu sei um pouco” (Cled Pereira, 2024) apresenta a trajetória de Mestre Paulo dos Anjos, uma das figuras mais relevantes da Capoeira Angola na Bahia e no Brasil. O filme conduz o espectador por meio das memórias e vivências de três de seus discípulos (hoje, mestres Jaime de Mar Grande, Jorge Satélite e Rene Bittencourt) – homens negros que, ao lado do mestre, construíram uma caminhada de resistência, afeto e saber coletivo. Mais do que um registro biográfico, a obra se transforma em uma narrativa sobre pertencimento, solidariedade e o papel agregador da capoeira na vida de seus praticantes. Com um olhar sensível, Cled Pereira cria uma homenagem à oralidade, à ancestralidade e ao modo de viver da capoeira enquanto filosofia, arte, luta e expressão política. A produção faz parte de um esforço maior de preservação de saberes afro-brasileiros que não estão registrados em livros, mas que sobrevivem no corpo, na palavra e nas práticas comunitárias

Para Ceiça Ferreira, coordenadora do projeto, a sessão é um convite a reconhecer a capoeira como ferramenta de resistência e educação. “Essa exibição é uma oportunidade de refletirmos sobre a capoeira como posicionamento diante do mundo – ela ensina valores, história e coletividade. O filme nos conecta com esses saberes, essas tecnologias ancestrais negras”.

Roda de conversa: memória, oralidade e resistência

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Após a sessão, haverá uma roda de conversa com o cineasta Cled Pereira e nomes fundamentais da Capoeira Angola em Goiás, que compartilharão suas vivências, saberes e perspectivas sobre o filme e sobre a importância de manter viva essa tradição. O encontro reúne mestres e mestra que são referências na construção de uma educação antirracista e no fortalecimento das culturas negras no estado. Para Edileuza Penha de Souza, curadora do projeto, ouvir essas vozes é essencial na luta contra o racismo estrutural: “Trazer mestres e mestra para compartilhar seus saberes é valorizar a oralidade e os modos de viver ancestrais que ainda hoje são invisibilizados. A educação antirracista precisa se comprometer com esses conhecimentos.”

Mestre Guaraná, ou Carlos Alberto Martins Alves, soma mais de 40 anos de caminhada na capoeira. É fundador do Grupo Calunga de Capoeira Angola e mestre do Sertão Negro – Ateliê e Escola de Artes, onde também atua como artista visual e pedagogo. Reconhecido por sua escuta generosa e pensamento crítico, ele afirma: “Unir cinema e capoeira é uma forma potente de preservar e espalhar nossos saberes. Essa parceria, que já iniciamos aqui na escola, fortalece a memória coletiva e amplia o alcance da nossa mensagem. Agora, com a presença de outros mestres e mestra que caminham há décadas nesse chão da cultura negra, a roda se engrandece ainda mais. É um encontro de histórias, vivências e resistência. Um momento de aprendizado profundo para todos nós.”

Uma das fundadoras do Grupo Só Angola, Mestra Ana Maria é goianiense, mulher negra, mãe, enfermeira e mestra de Capoeira Angola. Desenvolve um trabalho admirável com capoterapia, levando os valores civilizatórios afro-brasileiros a crianças e idosos. Por onde passa, semeia inspiração, cuidado e ancestralidade em forma de movimento, canto e presença.

Figura central na preservação da cultura afro-brasileira em Goiás, Mestre Vermelho – nascido Vanderly Francisco de Oliveira – é referência na Capoeira Angola e nas manifestações tradicionais do estado. Sócio-fundador do Grupo Só Angola e presidente da Associação de Capoeira Angola do Estado de Goiás, também se destaca como luthier de instrumentos de percussão e fundador do Angoleiros de Samba Chula, o primeiro grupo do gênero em Goiás. Está à frente do Ponto de Cultura Buracão da Arte e em 2025 recebeu o título de Doutor Honoris Causa, reconhecimento por sua trajetória de mais de 30 anos como guardião das tradições negras.

Mestre Goyano, nome de batismo Durval José Martins, é uma voz essencial da cultura negra em Goiás. Reconhecido por sua dedicação à Capoeira Angola, Samba de Roda e aos cantos e ritmos afro-brasileiros, ele tem atuado desde 1986 na promoção e preservação dessas tradições em Goiânia e Aparecida de Goiânia. Professor de educação física e mestre respeitado, é considerado uma das principais referências vivas da ancestralidade no estado, conduzindo seus saberes com profunda sensibilidade e compromisso com a comunidade.

Sobre o projeto

O projeto “Cinemas Negros e Educação Antirracista” será realizado até setembro de 2025, com sessões temáticas que destacam o cinema negro como ferramenta de reflexão e transformação social. A iniciativa conta com recursos da Política Nacional Aldir Blanc, operacionalizada pelo Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Cultura.

SERVIÇO: Projeto Cinemas Negros e Educação Antirracista – 5ª sessão com exibição do filme “Dessa arte eu sei um pouco” de Cled Pereira

Data: 31 de maio (sábado).

Horário: às 17h.

Local: Cineclube Maria Grampinho | Sertão Negro – Ateliê e Escola de Artes (Goiânia-GO).

Exibição do filme: “Dessa arte eu sei um pouco” (Cled Pereira, 2024).

Roda de conversa: Cled Pereira, Mestra Ana Maria, Mestre Guaraná, Mestre Vermelho e Mestre Goyano.

Entrada gratuita.

 

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