Montagem – Marcos Oliveira/Agência Senado, Marcelo Camargo/Agência Brasil e Waldemir Barreto/Agência Senado
A recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que resultou na condenação de integrantes da cúpula da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), no contexto dos atos de 8 de janeiro de 2023, tem provocado reações no meio jurídico e reacendido debates sobre os limites da responsabilização penal em estruturas hierárquicas.
Entre os condenados está o coronel Paulo José, cuja defesa é conduzida pelo advogado Alexandre Collares, que se manifestou publicamente após o julgamento. Em nota divulgada à imprensa, o advogado afirmou que a decisão foi recebida com preocupação e destacou que seu cliente nega qualquer participação ou omissão deliberada nos atos investigados.
“O desfecho deste processo nos causa imensa consternação. (…) O Cel. Paulo José jamais se afastou dos seus deveres institucionais e não colaborou, corroborou ou participou de nenhum ato que visasse abolir o Estado Democrático de Direito”, declarou Collares.

Foto: Advogado Alexandre Collares
A defesa sustenta que o caso deve ser analisado sob a ótica da individualização das condutas, princípio fundamental do Direito Penal, especialmente em situações que envolvem estruturas complexas como as forças de segurança pública.
Para a advogada Fabiana Schwartz, também integrante da defesa, o julgamento evidencia a necessidade de cautela na atribuição de responsabilidades em contextos institucionais:
“Em processos dessa natureza, é essencial que cada conduta seja analisada de forma individualizada, com base em provas concretas. A responsabilização não pode se apoiar em generalizações, sob pena de comprometer garantias fundamentais do devido processo legal.”

Foto: Advogada Fabiana Schwartz
O STF, por sua vez, tem adotado o entendimento de que houve omissão relevante por parte de agentes públicos com responsabilidade de comando, considerando o contexto dos eventos e as informações disponíveis à época.
Especialistas apontam que o caso deve continuar gerando discussões nos tribunais e no meio jurídico, especialmente no que diz respeito à responsabilidade por omissão, ao papel das cadeias de comando e à interpretação das provas produzidas ao longo do processo.
A defesa do coronel Paulo José informou que seguirá adotando as medidas cabíveis dentro do ordenamento jurídico.
Sobre os advogados
Alexandre Collares e Fabiana Schwartz são advogados com atuação nos tribunais superiores, em Brasília, e experiência em casos de alta complexidade e repercussão nacional.
