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Dia Mundial de luta contra as Hepatites Virais. Entenda​ as diferenças e saiba como se proteger.

Médico infectologista Dr. Klinger Faíco explica as formas de transmissão, diferenças, principais sintomas e tratamentos.

Por ETC Comunicação
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Foto: Reprodução Prefeitura do Rio de Janeiro.

“Doutor, descobri que tenho hepatite, mas não entendo se é grave ou não. Tem cura? Vou transmitir para minha família?” Perguntas como essas são frequentes no consultório do Dr. Klinger Soares Faico Filho, médico infectologista e professor da UNIFESP. A confusão é compreensível: embora todas sejam chamadas de “hepatite”, inflamação do fígado, as hepatites A, B e C são doenças completamente diferentes em transmissão, evolução e tratamento.

Com base no mais recente Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais do Ministério da Saúde, que analisa dados de 25 anos no Brasil, fica clara a importância de entender essas diferenças. Cada tipo de hepatite tem seu próprio perfil epidemiológico, grupos de risco e estratégias de prevenção, informações essenciais para que a população possa se proteger adequadamente.

“A primeira coisa que explico aos pacientes é que hepatite A, B e C são vírus completamente diferentes, como se fossem três doenças distintas que por acaso afetam o mesmo órgão, o fígado. Cada uma tem sua personalidade própria e entender essas diferenças é fundamental para saber como se proteger e o que esperar caso haja infecção.” esclarece Dr. Klinger Faíco.

HEPATITE A: A MAIS BENIGNA

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A hepatite A é transmitida pela via fecal-oral, principalmente através de água e alimentos contaminados ou contato direto com pessoas infectadas. É mais comum em locais com saneamento precário e afeta principalmente crianças, embora adultos também possam se infectar.

“A hepatite A é como uma gripe do fígado. Causa sintomas intensos por algumas semanas: fadiga, náuseas, dor abdominal, icterícia, mas depois passa completamente e a pessoa fica imune para o resto da vida”, explica o infectologista. “Nunca se torna crônica e raramente causa complicações graves, exceto em pessoas idosas ou com outras doenças do fígado.”

A prevenção se baseia em vacinação, que está disponível no SUS para crianças a partir de 15 meses, higiene rigorosa das mãos, consumo de água tratada e cuidado com alimentos crus. Não existe tratamento específico, apenas cuidados de suporte até a recuperação natural.

HEPATITE B: A MAIS CONTAGIOSA

A hepatite B se transmite por sangue, relações sexuais e de mãe para filho durante o parto. É 50 a 100 vezes mais contagiosa que o HIV e pode sobreviver fora do corpo por até uma semana. Afeta principalmente adultos jovens e pode se tornar crônica em 5% dos casos.

“A hepatite B é a mais traiçoeira, porque é extremamente contagiosa e pode ficar silenciosa por décadas. Quando se torna crônica, pode levar à cirrose e câncer de fígado”, alerta o Dr. Klinger Faíco. “Mas também é a mais prevenível: temos uma vacina altamente eficaz que oferece proteção por toda a vida.”

A prevenção inclui vacinação, são três doses que estão disponíveis gratuitamente no SUS, uso de preservativos, não compartilhamento de objetos cortantes e cuidado com procedimentos que envolvam sangue. O tratamento da forma crônica utiliza antivirais que controlam a replicação viral.

HEPATITE C: A MAIS LETAL, MAS CURÁVEL

A hepatite C se transmite principalmente por sangue contaminado: transfusões antes de 1993, uso de drogas injetáveis, procedimentos médicos com material não esterilizado. Raramente se transmite por via sexual e não passa de mãe para filho facilmente.

“A hepatite C era nossa maior preocupação até poucos anos atrás. Se torna crônica em 80% dos casos e era a principal causa de transplante de fígado no mundo”, conta Dr. Klinger. “Mas hoje temos medicamentos que curam mais de 95% dos pacientes em apenas 8 a 12 semanas. É uma revolução médica.”

Não existe vacina contra hepatite C, então a prevenção se baseia em evitar contato com sangue contaminado. O tratamento com antivirais de ação direta está disponível gratuitamente no SUS e oferece cura definitiva na maioria dos casos.

SINAIS COMUNS A TODAS:

Independentemente do tipo, as hepatites podem causar sintomas similares: fadiga intensa, perda de apetite, náuseas, vômitos, dor no abdome superior direito, urina escura, fezes claras e icterícia, que é o amarelamento da pele e olhos. No entanto, muitas infecções são assintomáticas, especialmente hepatites B e C.

“O grande problema é que as pessoas podem ter hepatite B ou C por anos sem saber. Por isso recomendamos teste para todos os adultos pelo menos uma vez na vida, e anualmente para pessoas com fatores de risco”, enfatiza Dr. Klinger Faíco.

QUANDO FAZER O TESTE:

Hepatite A: Apenas se houver sintomas ou exposição conhecida.

Hepatite B: Todos os adultos, especialmente com múltiplos parceiros sexuais, usuários de drogas, profissionais de saúde.

Hepatite C: Nascidos entre 1945-1965, receptores de transfusão antes de 1993, usuários de drogas injetáveis, pessoas com tatuagens.

Os testes estão disponíveis gratuitamente em Unidades Básicas de Saúde e Centros de Testagem e Aconselhamento. O diagnóstico precoce permite tratamento adequado e previne complicações graves.

Por fim, é importante desmistificar o estigma associado às hepatites. “Ter hepatite não é motivo de vergonha. São doenças como qualquer outra, que podem afetar qualquer pessoa. O importante é diagnosticar, tratar adequadamente e tomar medidas para não transmitir para outras pessoas”, conclui Dr. Klinger Faíco. A informação correta é a melhor ferramenta de prevenção e tratamento.

A boa notícia é que quase todas as hepatites têm prevenção, tratamento e até cura. E a principal arma contra elas continua sendo a informação correta.

 

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