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Evento gratuito: pernambucana Emily Bandeira lança “Quase dá para chamar de dança” na Circulares Livros, em Brasília (DF), neste sábado (30)

Livro de poesia reúne curadoria pessoal de 55 cadernos, da infância em Caruaru à vida adulta em Brasília, em um mergulho na escrita como salvação cotidiana; lançamento será às 16h30

Por ETC Comunicação
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Evento gratuito: pernambucana Emily Bandeira lança "Quase dá para chamar de dança" na Circulares Livros, em Brasília (DF), neste sábado (30)

A escritora, tradutora e intérprete pernambucana radicada em Brasília Emily Bandeira lança, neste sábado, 30 de maio, em Brasília (DF), “Quase dá para chamar de dança”, obra publicada pela editora Andrômeda. O evento será na Circulares Livros (714/715 Norte, Bloco H), às 16h30, com participação do Duo Contraste.

 

Com orelha assinada por Ingrid Leandro e prefácio escrito por Pollyana Azevedo, a obra é o resultado de um processo incomum: a releitura cronológica de todos os seus cadernos pessoais, escritos entre os 10 e os 29 anos. “Essa foi a primeira vez em que me propus um exercício no qual pude acompanhar com atenção e cuidado alguns dos contextos da vida, mas principalmente pude acompanhar minha própria escrita”, conta Emily.

 

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O projeto começou na véspera de seu aniversário de 29 anos, em uma quitinete na Asa Norte, em Brasília. Debaixo de um céu cinzento, Emily abriu o baú da cama e resgatou caixas com cadernos antigos. A ideia inicial era simples: rastrear tudo o que havia escrito sobre o próprio escrever. “Senti uma curiosidade genuína”, diz. O que veio depois foram onze meses de imersão, entre lágrimas, risadas e a descoberta de que a escrita sempre foi, para ela, um modo de existir.

 

O primeiro caderno da série data de 2005, quando Emily tinha 10 anos. Comprado na Livraria Cultura do Paço Alfândega, em Recife, trazia na capa uma menina gótica e o nome “Emily”. “ Mal podia acreditar em um caderno que já vinha com o meu nome escrito na capa. Fui feliz aquele dia.” Esse caderno, curiosamente, sobreviveu à infância justamente por ser vago. “Uma linguagem vaga o suficiente para sair a salvo, permanecer viva”, escreve a autora, referindo-se à falta de privacidade que enfrentou em sua infância.

 

A violação de seus diários e cadernos, lidos escondidos pela madrasta, levou a autora, ainda menina, a desenvolver estratégias de proteção. Escrevia em códigos, alfabetos inventados e, mais tarde, em inglês. Até o dia em que sua madrasta apareceu com um dicionário na mão e um tapa estalado no rosto. O episódio, narrado sem autopiedade, é um dos pontos de virada de sua escrita. “Uma guerra cansada e triste entre uma menina de 12 anos trancada em uma casa sem qualquer significado de lar e uma mulher de seus 40 anos com suas complexidades mesquinhas.”

 

Mesmo com a falta de privacidade, a escrita não parou. Emily usou um manual de instruções de um celular Nokia como caderno disfarçado, escrevendo em suas bordas e margens. “Imagina que teimosia de querer escrever. Que agonia e que beleza de insistência. Um amor desses justifica uma vida inteira.” Essa persistência é o fio condutor de “Quase dá para chamar de dança”, que mistura poesia, prosa e fragmentos de diário sem a pretensão de se enquadrar em gêneros rígidos.

 

A curadoria final reúne escritos de 2005 a 2024, organizados em blocos. Ao longo das páginas, surgem avós, amores, dentes quebrados, plantas na laje, cafés em padarias do interior de Goiás e a presença constante da lua. “Poesia sobre o cotidiano e inquietações humanas. Crença no pequeno”, resume.

 

Sobre a autora

 

Emily Bandeira nasceu em Caruaru (PE) e mora em Brasília (DF). Antes de “Quase dá para chamar de dança”, publicou de forma independente as plaquetes “sardas” (2016), “cardápio de amar ou coisa assim” (2018) e “margília” (2019). Formada em Línguas Estrangeiras Aplicadas pela UnB, trabalha como tradutora e intérprete de inglês e espanhol. Foi ativista feminista antiproibicionista no coletivo do qual foi co-fundadora, Mulheres Cannábicas, e co-fundadora do festival de cinema Mostra Cinema Arruda. Em 2024, traduziu o livro “Hidrografia Doméstica”, do argentino Gonzalo Castro. “O sonho de Emily é descobrir como viver de caderno”, diz sua biografia oficial. Acesse: www.emilybandeira.com

 

FICHA CATALOGRÁFICA

 

Título: Quase dá para chamar de dança

Autora: Emily Bandeira

Gênero: Poesia / Prosa de diário

Editora: Andrômeda

ISBN: 978-65-84447-03-5

Número de páginas: 240

Ano de publicação: 2026

 

Lançamento

Data: 30 de maio

Horário: 16h30

Local: Circulares Livros (714/715 Norte, Bloco H) – Brasília/DF

Entrada: Gratuita

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