Como parte da programação do Festival Convergências, que celebra os 200 anos de relações diplomáticas entre Brasil e França, a exposição Nego Fugido, do fotógrafo franco-italiano Nicola Lo Calzo, ocupará a Galeria 2 do Museu Nacional da República, em Brasília, de 5 de agosto a 7 de setembro. A mostra também integra o Festival Mês da Fotografia (FMF), em uma edição especial dedicada ao tema O que Vemos Quando Escutamos.
Nego Fugido propõe uma imersão sensível e politicamente engajada em torno de uma prática ritualística afro-brasileira realizada todos os anos na comunidade quilombola de Acupe (BA), que encena, em quadros vivos, a luta dos escravizados por emancipação.
Mais do que uma reencenação, a performance dá forma a uma memória viva da opressão e da resistência, construída a partir do ponto de vista dos subjugados. A exposição apresenta esse legado por meio de uma constelação visual composta por fotografias, vídeos, arquivos, objetos simbólicos e sons, com Exu como fio condutor da narrativa.
O trabalho faz parte do projeto KAM, iniciado por Lo Calzo em 2010, que percorre territórios da África, do Caribe, das Américas e da Europa em busca das memórias da escravidão colonial e das resistências a ela. A pesquisa que originou Nego Fugido foi realizada entre 2022 e 2025, e incluída no doutorado feito pelo artista na CY Cergy Paris Université.
Com uma abordagem interseccional, anticolonial e colaborativa, Nicola Lo Calzo se distancia de olhares exotizantes para construir, em diálogo com a comunidade, uma leitura plural e crítica da história.
“Nego Fugido” é um espaço de reinvenção do passado, um ato de autodeterminação diante dos discursos paternalistas da suposta democracia racial ou de um multiculturalismo de fachada. A exposição convida o público a uma escuta mais atenta da história da escravidão e de suas reverberações no presente”, destaca a curadora Ioana Mello.
A exposição é organizada em conjunto com a Associação Cultural Nego Fugido (AFD), dentro da Temporada França-Brasil 2025. Conta ainda com apoio da Fondation pour la mémoire de l’esclavage, da AFD e da cidade de Aubervilliers. No Brasil, além de Brasília, a mostra também será exibida no festival FotoRio e no Museu Afro-Brasileiro (Mafro), na Bahia.
O Festival Convergências acontece entre os dias 18 e 21 de agosto, reunindo uma programação intensa e plural no centro de Brasília. Fruto da colaboração entre o Instituto Francês, o Festival Latinidades e a Mawê (responsável pelo Festival CoMA), o evento propõe conexões entre Brasil e França a partir da cultura, da educação, do turismo e do empreendedorismo criativo.
“Nosso evento nasce da vontade de construir pontes reais entre os dois países — não apenas culturais, mas também sociais e políticas. Ao ocupar o coração da cidade com arte, pensamento crítico e celebração, queremos que o público se reconheça em algo vivo, diverso e inspirador”, destaca Michelle Cano, diretora do Festival.
A edição de 2025 conta com patrocínio máster da TotalEnergies, empresa global de energia integrada com sede na França, e patrocínio da Edenred, marca global e digital de serviços e meios de pagamento, também de origem francesa.
SERVIÇO:
Festival Convergências Brasil- França 2025
18 a 21 de agosto
Local: Complexo Cultural da República, Brasília (DF)
Entrada gratuita
SERVIÇO:
Exposição: Nego Fugido
Data: De 5 de agosto a 7 de setembro de 2025
Local: Galeria 2 – Térreo do Museu Nacional da República, Brasília
Horário de visitação: Terça a domingo, das 9h às 17h
Entrada franca
