“À medida que a expectativa de vida aumenta, crescem também as doenças crônicas que exigem acompanhamento multidisciplinar”, afirma a médica geriatra e coordenadora de Geriatria e do Cuidar+ do Hospital Santa Lúcia, Dra. Priscilla Mussi. Nesse cenário, iniciativas educativas e assistenciais ganham papel estratégico para promover autonomia, funcionalidade e qualidade de vida, principalmente ao paciente idoso.
Envelhecimento e doenças crônicas: um desafio crescente no Brasil
Dentre as condições pautadas pela campanha nacional do Fevereiro Roxo, as doenças cognitivas apresentam um crescimento acelerado no Brasil, devido ao envelhecimento da população. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 55 milhões de pessoas vivem com demência no planeta, sendo o Alzheimer responsável por 60% a 70% dos diagnósticos. No Brasil, o número chega a 1,7 milhão de pessoas, com projeções de dobrar até 2050. No Distrito Federal, dados da Secretaria de Saúde (SES-DF) de 2024 indicam a existência de aproximadamente 48.606 portadores da doença.
A boa notícia é que 2026 inicia um marco histórico na terapia contra o Alzheimer. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou os medicamentos lecanemabe e donanemabe, que atuam diretamente no mecanismo da doença ao reduzir a proteína beta-amiloide no cérebro. “Diferente de tratamentos anteriores que apenas mascaravam os sintomas, esses fármacos podem retardar a progressão do Alzheimer em estágios iniciais, mudando o prognóstico dos pacientes”, explica a médica geriatra.
Diagnóstico precoce faz toda a diferença
De acordo com a Dra. Priscilla, um dos principais entraves no enfrentamento das doenças relacionadas ao envelhecimento é o atraso no diagnóstico. “Não é normal que o idoso perca habilidades que sempre teve. Dificuldade para aprender algo novo pode acontecer, mas deixar de pagar contas, de se orientar pelos caminhos de rotina ou de realizar tarefas habituais são sinais de alerta”, destaca.
A médica explica que, no caso das doenças neurodegenerativas, a evolução pode se estender por 7 a 17 anos, gerando impacto direto na vida familiar. “Muitas vezes, um familiar precisa deixar o trabalho para assumir os cuidados ou a família precisa contratar ajuda especializada, o que representa um custo elevado e um risco social importante”, afirma.
Nesse contexto, o cuidado multidisciplinar se torna essencial. “O idoso não é apenas um conjunto de doenças. Ele tem história, vínculos, emoções e contexto social. Estimular memória, interação social, atividades lúdicas e cognitivas faz parte do cuidado e ajuda a preservar a funcionalidade”, completa a coordenadora de Geriatria e do Cuidar+ do Hospital Santa Lúcia.
Programa Cuidar+ e ações educativas: Fevereiro
O Cuidar+ foi estruturado para organizar a jornada do paciente idoso, integrando diferentes especialidades médicas e promovendo ações contínuas de prevenção, educação em saúde e envelhecimento ativo. Os encontros mensais do programa abordam temas variados relacionados à saúde da pessoa idosa, sempre com foco em autonomia, cognição e qualidade de vida.
Nesse mês, o Cuidar+ promove, no dia 26 de fevereiro, um encontro especial no Hospital Santa Lúcia Sul (HSLS), da Asa Sul, reunindo pacientes, familiares e médicos para uma atividade educativa voltada à promoção da saúde do idoso.
“Neste encontro, vamos abordar como manter as atividades laborais e como o idoso pode continuar ativo e produtivo”, afirma a médica e coordenadora do projeto. O programa ainda integra consultas, exames e, se necessário, internação geriátrica, utilizando enfermeiros navegadores para agilizar o atendimento e evitar novas internações.
“O envelhecimento acontece para todos, mas envelhecer bem é uma escolha. Quando explicamos como o processo funciona e mostramos caminhos práticos para manter atividades, vínculos e propósito, o impacto é muito positivo”, afirma a Dra. Priscilla Mussi.
SERVIÇO
O que: Encontro mensal programa Cuidar+
Quando: 26 de fevereiro de 2026
Local: Hospital Santa Lúcia Sul, da Asa Sul.
Público: Pacientes, familiares e cuidadores.
