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Janeiro Branco reforça cuidado integrado à saúde mental

Campanha chama atenção para sinais de sofrimento psíquico e reforça a importância de redes de cuidado integradas — como a ação do programa Cuidar+, voltada para os pacientes idosos durante o mês

Por ETC Comunicação
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Janeiro Branco reforça cuidado integrado à saúde mental

Brasília, janeiro de 2026 – A campanha Janeiro Branco, embora tenha nascido no Brasil em 2014, hoje é considerada um movimento internacional de conscientização sobre a saúde mental, mobilizando instituições e profissionais de saúde para estimular a prevenção, a identificação precoce e a busca de ajuda especializada em um cenário de aumento contínuo de estresse, ansiedade e sobrecarga emocional. No Hospital Santa Lúcia, por exemplo, a iniciativa ganha reforço com ações voltadas a públicos a grupos que demandam atenção ampliada — como gestantes e puérperas, no contexto da maternidade, e idosos, com atenção especial ao isolamento social — além de um encontro especial do programa Cuidar+, realizado no dia 20 de janeiro no Hospital Santa Lúcia Sul (HSLS), da Asa Sul.

 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), quase 1 em cada 7 pessoas no mundo vive com algum transtorno mental, e condições como ansiedade e depressão estão entre as mais frequentes. No Brasil, por exemplo, a OMS estima mais de 18 milhões de brasileiros vivendo com transtornos de ansiedade, classificando o país como o mais ansioso do mundo. E os índices de depressão também estão em alta: 11,5 milhões de brasileiros convivem com a condição.

 

Para o psiquiatra Dr. João Armando, coordenador da Psiquiatria do Hospital Santa Lúcia Sul (HSLS) e do Hospital Santa Lúcia Norte (HSLN), o objetivo central da campanha é romper o silêncio e reduzir estigmas, ampliando o acesso à informação de qualidade e estimulando o cuidado contínuo ao longo de todo o ano.

 

Na prática clínica, o especialista afirma que os quadros mais frequentes hoje envolvem transtornos de ansiedade, transtornos depressivos, condições relacionadas ao estresse (como transtorno de adaptação), além de insônia e uso problemático de substâncias. “Esse conjunto de sintomas, muitas vezes, convive com doenças clínicas e pode agravar desfechos quando não é reconhecido a tempo”, afirma o especialista.

 

Um ponto central, segundo o médico, é diferenciar o sofrimento emocional esperado diante de mudanças e perdas de um transtorno que exige avaliação detalhada. “Quando o sofrimento se torna persistente, intenso e começa a comprometer o funcionamento — seja no trabalho, nos relacionamentos ou no autocuidado — isso é um sinal de alerta”, explica o psiquiatra, destacando critérios como duração, perda de funcionalidade e impacto na qualidade de vida.

 

Entre os sinais que merecem atenção, o Dr. João Armando lista:

 

·      Tristeza persistente;

·      Ansiedade intensa;

·      Crises de pânico;

·      Alterações relevantes de sono e apetite;

·      Perda de interesse por atividades antes prazerosas;

·      Dificuldade de concentração;

·      Irritabilidade marcada e

·      Pensamentos negativos recorrentes e sensação de desesperança.

 

Ele também chama atenção para o uso abusivo de álcool e outras substâncias como um marcador de risco que precisa ser investigado.

 

“No ambiente hospitalar, a saúde mental aparece, muitas vezes, associada a queixas físicas. A relação é bidirecional: transtornos mentais podem agravar doenças clínicas, enquanto doenças físicas podem desencadear ou intensificar sofrimento psíquico”, alerta o coordenador de Psiquiatria.

 

Por isso, no Hospital Santa Lúcia, a Psiquiatria atua integrada ao hospital geral, com atendimento ambulatorial, interconsultas para pacientes internados e suporte às equipes assistenciais, sempre com base em evidências e foco em humanização, acolhimento e segurança do paciente.

 

“A estrutura multiprofissional é apresentada como eixo do modelo assistencial. Na Psiquiatria hospitalar, a integração com psicologia, clínica médica, enfermagem e outras especialidades permite avaliar o paciente considerando dimensões biológicas, psicológicas e sociais. Na avaliação do serviço, esse desenho melhora adesão, reduz riscos e favorece melhores desfechos clínicos”, afirma Dr. João.

 

Olhar cuidadoso para a saúde mental na Maternidade 🤱

 

O Janeiro Branco também amplia o olhar para a saúde mental na gestação e no pós-parto, período em que mudanças hormonais, privação de sono, dor, dificuldades na amamentação e reconfigurações familiares podem aumentar a vulnerabilidade. A OMS estima que cerca de 10% das gestantes e 13% das mulheres no pós-parto apresentem algum transtorno mental, principalmente depressão — percentuais que podem ser maiores em países de renda média e baixa.

 

Na avaliação do ginecologista e obstetra Dr. Ângelo Pereira, coordenador de Ginecologia e Obstetrícia da Maternidade do Hospital Santa Lúcia Sul (HSLS), da Asa Sul, é essencial diferenciar a depressão pós-parto do chamado baby blues. Ele explica que a depressão pós-parto é um transtorno depressivo que pode acometer, em média, 10% a 20% das pacientes após o parto, com sintomas que costumam iniciar após a segunda semana e podem surgir até o primeiro ano.

Já o baby blues, segundo o especialista, é mais comum e transitório, associado às flutuações hormonais e à adaptação ao puerpério, com início nos primeiros dias e melhora espontânea, em geral, em até duas semanas. Quando os sintomas são intensos e persistentes, com prejuízo funcional, a orientação é buscar avaliação, especialmente diante de sinais como desesperança, isolamento social significativo e incapacidade de cuidar de si ou do recém-nascido.

 

“Entre os sinais de alerta de maior gravidade, estão pensamentos persistentes de desesperança, medo intenso ou rejeição ao cuidado, além de comprometimento importante do autocuidado. A resposta do sistema de saúde deve ser rápida e articulada: obstetra, psicologia, psiquiatria, pediatria e suporte à amamentação atuam como rede, porque as causas são multifatoriais — combinando fatores neuroendócrinos, vulnerabilidades prévias, privação de sono, dores e desafios da rotina”, alerta o médico.

 

O Dr. Ângelo Pereira reforça ainda que a saúde mental materna impacta diretamente o bebê. O estresse crônico pode elevar níveis de cortisol e influenciar a programação neurobiológica fetal; depois do nascimento, uma mãe com depressão não tratada pode ter mais dificuldade de interação, estímulo e amamentação, aumentando riscos como desmame precoce e até maior vulnerabilidade emocional ao longo da infância. “Nesse contexto, o cuidado em saúde mental é descrito como proteção ao vínculo e ao desenvolvimento”, afirma.

 

No Hospital Santa Lúcia, a maternidade trabalha com abordagem multiprofissional — com obstetras, pediatras, enfermagem, psicologia e suporte especializado para o pós-parto — e integra orientações para familiares sobre sinais de alerta, com encaminhamento para avaliação quando necessário. A instituição mantém ainda serviços de apoio relacionados à amamentação e ao cuidado neonatal, incluindo o Banco de Leite Humano, criado em 2002 como o primeiro da rede privada no Brasil.

 

Solidão de idosos tem solução! 👴👵

 

 A campanha de Janeiro Branco também chama atenção para um público frequentemente invisibilizado no debate: os idosos. Para a médica geriatra Dra. Priscilla Mussi, coordenadora de Geriatria e do Cuidar+ no Hospital Santa Lúcia, quadros como depressão e ansiedade seguem subdiagnosticados na terceira idade por aparecerem, muitas vezes, como mudanças de comportamento — e não necessariamente como “tristeza intensa”, como se espera em pessoas mais jovens.

 

A médica descreve sinais comuns:

 

·      Apatia;

·      Perda do “tesão pela vida” (ânimo);

·      Isolamento maior;

·      Dores difusas e

·      Alterações de apetite.

 

“Em alguns casos, a ansiedade pode se manifestar como inquietação e dificuldade de controle, afetando a convivência familiar. Para cuidadores e familiares, a palavra-chave é atenção ao “tanto faz”: ou seja, quando o idoso perde interesse e passa a aceitar tudo com indiferença, isso pode ser um marcador de sofrimento emocional”, alerta Dra. Priscilla.

 

A especialista também alerta que depressão e ansiedade em idosos não são apenas questões subjetivas: podem impactar autonomia, piorar controle de doenças crônicas e se associar a riscos como perda de massa muscular (sarcopenia) e maior vulnerabilidade a eventos cardiovasculares. Em paralelo, fatores sociais ganham peso: a OMS aponta que solidão e o isolamento social afetam cerca de um quarto das pessoas idosas e estão associados a maior risco de agravos em saúde física e mental.

 

No Brasil, análises com base no Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil) indicam prevalências relevantes de solidão em pessoas com 60 anos ou mais — reforçando a necessidade de criação de redes de apoio e acompanhamento continuado. Para a Dra. Priscilla Mussi, a abordagem do programa Cuidar+, do Hospital Santa Lúcia, permite observar esse comportamento ao longo do tempo, com avaliação geriátrica ampla e encaminhamento oportuno para suporte psicológico e psiquiátrico quando indicado.

 

·      Saiba Mais: O Cuidar+ é o maior programa de cuidado integral e completo – 360º – voltado para o paciente idoso (acima dos 60 anos) do Hospital Santa Lúcia, com atendimento humanizado e equipe multidisciplinar (geriatras, enfermeiros navegadores, psicólogos, fisioterapeutas, etc.), além da estrutura completa e especializada, agilidade em exames e foco na prevenção, visando melhorar a qualidade de vida do idoso e evitar idas desnecessárias ao pronto-socorro, por exemplo.

 

A médica geriatra também destaca a dimensão cultural do estigma: parte da população idosa ainda associa depressão e ansiedade a “falta de fé”, quando, na prática, trata-se de condições de saúde com bases biológicas e psicossociais. “Falar sobre o tema é romper barreiras geracionais e facilitar o acesso ao cuidado, inclusive com orientação às famílias, que nem sempre reconhecem os sinais quando o idoso ‘continua fazendo tudo’, mas já perdeu vitalidade emocional”, explica a médica.

 

Dentro da programação mensal do Cuidar+, que neste mês dialoga com a campanha do Janeiro Branco, os pacientes idosos participaram, no dia 20 de janeiro, de uma programação especial com foco em combater sedentarismo e estimular a prática de atividades físicas, reunindo equipe multiprofissional e especialistas convidados. A proposta foi orientar o que pode ser feito com segurança também dentro de casa, adaptando movimento e rotina à realidade de cada idoso.

 

Além do conteúdo educativo, a ação integra uma estratégia maior: associar saúde mental a hábitos protetores — como atividade física, sono e vínculos — e reforçar que o cuidado não começa apenas quando o quadro se agrava. “A lógica do serviço é atuar com prevenção, identificação precoce e continuidade assistencial, conectando geriatria, psicologia, psiquiatria e outras especialidades conforme a necessidade do paciente idoso”, explica Dra. Mussi.

 

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