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Longevidade começa na capacidade funcional, não na idade

Com a população brasileira envelhecendo em ritmo acelerado, especialistas defendem que força muscular, equilíbrio, condicionamento físico e saúde mental são indicadores mais importantes do que a idade cronológica para viver mais e melhor

Por ETC Comunicação
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Longevidade começa na capacidade funcional, não na idade

O Brasil está envelhecendo rapidamente. Segundo os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida dos brasileiros chegou a 76,6 anos, enquanto a população com 60 anos ou mais continuará crescendo nas próximas décadas. O cenário reforça um novo desafio para a saúde: mais do que aumentar os anos de vida, é preciso garantir que eles sejam vividos com autonomia, independência e qualidade.
 

É nesse contexto que ganha força o conceito de idade funcional, que avalia como o organismo realmente está funcionando, independentemente da idade registrada no documento. Segundo o diretor do Centro de Excelência Física (CEFIS), no Barralife Medical Center, no Rio de Janeiro, Francisco Gonzalez, duas pessoas da mesma idade podem apresentar condições completamente diferentes de saúde.
 

“A idade cronológica é definida pelo calendário. Já a idade funcional reflete como o organismo realmente está funcionando. Ela considera fatores como força muscular, equilíbrio, mobilidade, condicionamento físico, cognição e capacidade para realizar as atividades diárias. Hoje, mais importante do que saber quantos anos uma pessoa tem é entender como ela está vivendo esses anos”, explica.
 

Corpo e cérebro caminham juntos
 

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Força muscular, equilíbrio, mobilidade e condicionamento cardiorrespiratório estão entre os principais indicadores da idade funcional. Além de preservarem a independência, esses fatores também contribuem para a saúde cerebral. Segundo Gonzalez, a prática regular de atividade física estimula a produção do BDNF, proteína essencial para a saúde cerebral, pois estimula a neuroplasticidade e contribui para a manutenção das funções cognitivas.
 

“ Ao cuidar do corpo, também promovemos a saúde do cérebro. Como resultado, pessoas fisicamente ativas tendem a apresentar menor risco de declínio cognitivo, demências e depressão, mantendo melhor desempenho físico e mental durante o envelhecimento”.
 

O psiquiatra e psicogeriatra Dr. Gustavo Omena ressalta que cuidar da mente é parte essencial desse processo. “Envelhecer com qualidade não depende apenas da preservação dos músculos e das articulações. O cérebro também precisa ser constantemente estimulado. Manter vínculos sociais, aprender coisas novas e permanecer ativo ajuda a preservar a cognição, reduz o risco de isolamento e contribui para uma vida mais autônoma.”
 

O sedentarismo acelera o envelhecimento
 

Embora muitas pessoas associem a perda de força ao avanço da idade, Gonzalez afirma que o sedentarismo é um dos principais responsáveis pela redução da capacidade funcional.
 

“Nosso corpo foi feito para o movimento. Quando permanecemos inativos por longos períodos, perdemos massa muscular, força, equilíbrio e condicionamento físico. Alimentação inadequada, sono insuficiente, tabagismo, consumo excessivo de álcool e o controle inadequado de doenças crônicas também aceleram esse processo.”

Nunca é tarde para mudar

Mesmo após anos de sedentarismo, o organismo mantém capacidade de adaptação. “O envelhecimento é inevitável. O que não precisa ser inevitável é perder a autonomia. Exercícios físicos, alimentação equilibrada, sono de qualidade e acompanhamento profissional promovem adaptações importantes no organismo. A ciência mostra que sempre é possível evoluir em relação ao ponto de partida”, afirma Gonzalez.
 

Para Omena, as mudanças também trazem ganhos emocionais. “O cérebro mantém capacidade de adaptação ao longo da vida. A prática de atividade física, o convívio social e o aprendizado de novas habilidades fortalecem não apenas a memória e a atenção, mas também o humor, a autoestima e a sensação de propósito.”
 

A prevenção começa cedo
 

Segundo Gonzalez, a reserva funcional é construída ao longo de toda a vida. “Quanto mais cedo incorporamos hábitos saudáveis, maiores são as chances de chegar às idades mais avançadas com independência, força e qualidade de vida.”
 

Cinco hábitos que ajudam a preservar a capacidade funcional:

  • Praticar exercícios que combinem força, atividade aeróbica, equilíbrio e mobilidade;
  • Manter uma alimentação equilibrada;
  • Dormir bem e controlar doenças crônicas;
  • Evitar o cigarro e moderar o consumo de álcool;
  • Estimular o cérebro, cultivar relações sociais e manter um propósito de vida.

“Costumo dizer que longevidade não é apenas viver muitos anos. É chegar aos 70, 80 ou 90 anos mantendo a liberdade de caminhar, viajar, trabalhar, cuidar de si mesmo e continuar participando da vida. Esse é o verdadeiro significado de envelhecer com saúde”, conclui Francisco Gonzalez.

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