De acordo com dados do Ministério da Saúde, cerca de 10% das mulheres brasileiras têm endometriose, doença em que células semelhantes às que revestem o útero (endométrio) crescem em outras partes do corpo, principalmente na região pélvica. A condição pode causar inflamação, dores intensas e outros sintomas que impactam a qualidade de vida.
A busca por tratamentos tem ampliado o interesse por métodos não medicamentosos capazes de complementar as terapias convencionais. Profissionais da área de saúde integrativa destacam que práticas como massagem terapêutica e osteopatia podem desempenhar um papel importante no controle da dor pélvica crônica, um dos sintomas mais comuns da doença.
Osteopatia e equilíbrio do organismo
O osteopata do Recovery Health Space, André Freire, explica que o tratamento envolve diferentes ajustes no organismo da paciente. Segundo ele, a técnica busca melhorar a mobilidade dos tecidos e favorecer o funcionamento adequado das estruturas do corpo.
“A osteopatia consegue equilibrar padrões viscerais que estão em disfunção e liberar fáscias que se encontram tensionadas. Trata-se de um processo de ajustes que envolve desde o nervo vago até a região pélvica, incluindo vísceras, órgãos e estruturas musculares e articulares, estimulando o corpo a entrar em um processo natural de autocura”, afirma.
Drenagem linfática pode ajudar no inchaço e na dor
Outra abordagem utilizada como complemento é a drenagem linfática. A massoterapeuta Thaís Turatti explica que a técnica pode ajudar a aliviar sintomas associados à endometriose.
“A drenagem linfática atua em duas frentes importantes da endometriose: o inchaço físico e a dor crônica. A técnica ajuda a direcionar o excesso de líquido para os gânglios linfáticos, de onde ele é eliminado pelo organismo, principalmente pela urina, contribuindo para a redução do inchaço e das dores”, explica.
A especialista também orienta pacientes que não conseguem realizar o procedimento com um profissional. Segundo ela, exercícios que estimulem a panturrilha podem ajudar na circulação.
“Se a paciente não tem condições de procurar atendimento, indico a prática de exercícios que estimulem a panturrilha. Isso porque a panturrilha é considerada o nosso ‘segundo coração’: os músculos dessa região se contraem e funcionam como uma bomba que ativa a circulação sanguínea”, orienta.
Impactos na qualidade de vida
Além do alívio da dor, pacientes relatam melhora na qualidade do sono, redução do estresse e maior percepção corporal após sessões regulares dessas terapias. Esses fatores são considerados relevantes no manejo da endometriose, já que a dor crônica costuma impactar significativamente o bem-estar físico e emocional.
Especialistas ressaltam que os métodos não medicamentosos não substituem o acompanhamento médico, mas podem funcionar como aliados dentro de um plano de cuidado individualizado. A integração entre ginecologistas, fisioterapeutas, osteopatas e outros profissionais de saúde é apontada como uma estratégia promissora para ampliar as possibilidades de tratamento.

