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Julho Amarelo: hepatites silenciosas acumulam mais de 826 mil casos no Brasil desde 2000 e acendem alerta para exames de rotina

Campanha nacional reforça a importância do diagnóstico precoce para evitar a evolução de infecções assintomáticas, como cirrose e câncer de fígado

Por ETC Comunicação
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Julho Amarelo: hepatites silenciosas acumulam mais de 826 mil casos no Brasil desde 2000 e acendem alerta para exames de rotina

Brasília, julho de 2026 – A campanha Julho Amarelo alerta a população brasileira sobre o perigo das hepatites virais. Consideradas uma ameaça oculta, elas costumam agir de forma assintomática no organismo por décadas, fazendo com que a descoberta tardia seja um dos principais desafios para o controle clínico das infecções. A conscientização e o rastreio proativo são ferramentas essenciais para frear a evolução dessas patologias antes que gerem danos irreversíveis.

 

Segundo dados do Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais, publicado em 2025, o Brasil confirmou um total de 826.031 casos entre os anos de 2000 e 2024. Desse montante acumulado em 24 anos, exatamente 302.351 notificações corresponderam a infecções pelo vírus da hepatite B. Em escala global, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que existam cerca de 304 milhões de pessoas vivendo com infecções crônicas pelos vírus dos tipos B ou C.

 

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A gastro-hepatologista Dra. Natália Trevizoli, do Centro de Excelência em Doenças do Fígado do Hospital Santa Lúcia (HSL), em Brasília, explica que as hepatites virais, especialmente as causadas pelos vírus B e C, podem permanecer por muitos anos sem provocar sintomas. Quando eles surgem, na maioria dos casos, já refletem doença hepática avançada. Se não diagnosticadas e tratadas, essas infecções podem evoluir para fibrose, cirrose e carcinoma hepatocelular, o tipo mais comum de câncer de fígado. Globalmente, as hepatites B e C são responsáveis por cerca de 1,3 milhão de mortes por ano.

 

“Durante esse período, o vírus continua causando inflamação no fígado de forma lenta e progressiva. Muitas pessoas descobrem a doença apenas quando já apresentam cirrose ou câncer de fígado. Por isso, o diagnóstico precoce por meio de exames é fundamental”, alerta a médica. “A infecção crônica pode levar à inflamação persistente do fígado, favorecendo o desenvolvimento de fibrose, que é a formação de cicatrizes no órgão. Com o passar dos anos, essa fibrose pode evoluir para cirrose, aumentando o risco de insuficiência hepática e de carcinoma hepatocelular.”

 

Por outro lado, o avanço da cobertura vacinal gerou um reflexo estatístico positivo recente. Entre os anos de 2014 e 2024, a taxa de mortalidade provocada pelas hepatites virais no Brasil registrou um declínio de 50%, consolidando o papel da imunização na proteção coletiva.

 

Como se prevenir

 

Para interromper a cadeia de transmissão das hepatites do tipo B e C, os cuidados envolvem desde hábitos de higiene até mesmo a vigilância em procedimentos estéticos. “A principal forma de prevenção da hepatite B é a vacinação, que inclusive está disponível no SUS. Também é importante utilizar preservativo nas relações sexuais, não compartilhar objetos perfurocortantes, como lâminas, alicates de unha e seringas, e garantir que procedimentos como tatuagens e piercings sejam realizados em locais que utilizem materiais esterilizados ou descartáveis. Para a hepatite C ainda não existe vacina, tornando a prevenção e o diagnóstico precoce ainda mais importantes”, enfatiza a hepatologista do Hospital Santa Lúcia. “A redução da mortalidade observada na última década reflete a ampliação da vacinação contra hepatite B, o acesso ao tratamento da hepatite C e melhorias no diagnóstico precoce.”

 

Quem deve se testar?

 

Embora a maioria dos portadores permaneça assintomática por anos, o surgimento de manifestações clínicas tardias pode incluir fadiga persistente, náuseas, perda de apetite, dor na região abdominal, urina escura, coceira intensa na pele e icterícia (pele e olhos amarelados). O rastreio é feito por meio de testes rápidos e exames moleculares baseados em um perfil epidemiológico específico. Atualmente, o Ministério da Saúde recomenda a testagem para hepatites B e C pelo menos uma vez na vida para toda a população adulta, além da testagem periódica dos grupos de maior risco.

 

A testagem é priorizada para os seguintes grupos de pacientes:

 

  • Adultos que nunca realizaram testagem para hepatites B e C, especialmente aqueles acima de 40 anos ou com fatores de risco;

  • Indivíduos que receberam transfusão de sangue antes da implementação da triagem sorológica obrigatória no Brasil, realizada em 1992;

  • Usuários de drogas injetáveis ou inaladas;

  • Profissionais da área da saúde expostos a materiais biológicos;

  • Pessoas privadas de liberdade;

  • Indivíduos com múltiplos parceiros sexuais ou pessoas vivendo com HIV;

  • Pacientes submetidos a programas de hemodiálise;

  • Gestantes, bem como familiares e parceiros sexuais de indivíduos sabidamente diagnosticados com hepatite B.

 

Revolução na cura da hepatite C

 

O prognóstico para os pacientes diagnosticados precocemente melhorou nos últimos anos devido à evolução da engenharia farmacológica. No caso da hepatite C, a medicina passou a trabalhar com a perspectiva de erradicar completamente o patógeno no organismo.

 

“Hoje, a hepatite C é considerada uma doença curável na grande maioria dos casos”, afirma a gastro-hepatologista. “Os antivirais de ação direta permitem taxas de cura superiores a 95%, com tratamentos que costumam durar entre 8 e 12 semanas, apresentam poucos efeitos colaterais e são altamente eficazes. Quanto mais precocemente o tratamento é iniciado, menores são as chances de danos permanentes ao fígado. É importante ressaltar que mesmo após a erradicação (cura) do vírus, pessoas com fibrose ou cirrose já instalada devem manter seguimento regular.”

 

Para garantir o suporte assistencial necessário em todas as fases das patologias hepáticas, o Centro de Excelência em Doenças do Fígado do Hospital Santa Lúcia Sul oferece uma linha de cuidado multidisciplinar integrada. A estrutura hospitalar foi projetada para realizar desde o diagnóstico laboratorial especializado e exames de imagem avançados até biópsias hepáticas e esquemas terapêuticos individualizados. Nos quadros clínicos de extrema gravidade em que há falência do órgão, a instituição oferece suporte para a realização de transplante hepático, assegurando assistência integral e resolutiva na região Centro-Oeste.

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