Dr. Thiago Germano Créditos Guilherme Rico
As famosas canetas emagrecedoras vêm se popularizando cada vez mais e, com isso, aumentando o tamanho do mercado clandestino que preocupa médicos e autoridades. Comercializados pela internet e redes sociais, medicamentos falsificados e sem procedência representam ameaça à saúde, principalmente ao sistema cardiovascular.
Ao contrário dos medicamentos aprovados pelos órgãos reguladores, as canetas falsificadas podem conter substâncias desconhecidas e com concentrações inadequadas. Com isso, o organismo pode reagir de forma imprevisível, gerando alterações na pressão arterial, aumento da frequência cardíaca, arritmias e outras condições graves. De acordo com Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), a falsificação e venda de medicamentos é crime contra a saúde pública. Em caso de suspeita sobre a autenticidade do produto, a orientação é não utilizá-lo e denunciar a situação para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
“Uma das maiores preocupações é justamente a imprevisibilidade, não existe garantia sobre quais substâncias estão sendo aplicadas. Isso pode sobrecarregar o sistema cardiovascular, favorecendo o aumento da pressão arterial, arritmias, infarto e até complicações fatais”, explica o cardiologista Dr. Thiago Germano.

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Outro ponto de atenção é a ausência de acompanhamento médico. O uso dessas medicações podem mascarar doenças preexistentes ou agravar quadros como hipertensão, insuficiência cardíaca e doença arterial. Em pessoas que já se enquadram em fator de risco, as consequências tendem a ser mais graves.
Além disso, medicamentos falsificados não passam pelo controle de qualidade para garantir a biossegurança e eficácia. Isso significa que o paciente não sabe o que está sendo injetado no organismo, ficando exposto à ausência do efeito quanto ao surgimento de reações adversas.
A orientação é que medicamentos destinados ao tratamento da obesidade sejam utilizados apenas com prescrição e acompanhamento médico, além de serem comprados em farmácias e clínicas autorizadas. Medicamentos sem origem, com preços abaixo e em canais informais devem ser evitados.
O crescimento da venda de canetas irregulares levou a Anvisa a intensificar as fiscalizações. Recentemente, em abril deste ano, a agência proibiu a fabricação, importação, distribuição, comercialização e uso de produtos sem registro no Brasil.
“As medidas tomadas pela Anvisa mostram que não é mais uma problemática pontual. O registro existe para garantir que o medicamento passou por avaliações rigorosas de qualidade e segurança. Quando isso não ocorre, o paciente fica exposto a riscos inesperados, que podem comprometer o funcionamento dos sistemas, principalmente o cardiovascular”, conclui Dr. Thiago Germano.
Como identificar canetas falsificadas
É importante observar sinais de alerta. Antes da compra, o paciente deve verificar se o medicamento possui registro da Anvisa, desconfiar de preços muito abaixo da média do mercado, evitar compras pelas redes sociais. É necessário também, conferir a embalagem e se apresenta o número de lote.
“Em caso de dúvidas sobre a origem do medicamento ou alterações no aspecto da solução, é recomendável não utilizar o produto e procurar acompanhamento médico”, pontua o cardiologista.

