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Beth Goulart dá corpo e voz ao universo de Clarice Lispector no Gama

Em Simplesmente eu, Clarice Lispector, a atriz entrelaça a escritora e quatro de suas personagens em uma ode ao amor, construída a partir de obras, entrevistas e correspondências da autora

Por ETC Comunicação
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Beth Goulart dá corpo e voz ao universo de Clarice Lispector no Gama

Simplesmente eu, Clarice Lispector reúne a escritora e quatro de suas personagens em um encontro com o público conduzido por Beth Goulart, que concebe, dirige e protagoniza a montagem. O premiado espetáculo chega ao Teatro SESC Paulo Gracindo, no Gama, nos dias 7 e 8 de novembro, sábado, às 19h, e domingo, às 18h. Os ingressos serão distribuídos uma hora antes do início de cada apresentação.

Com estreia nacional em Brasília, em 2009, e temporadas seguintes com lotação esgotada na cidade, a peça construiu uma trajetória que já alcançou quase 300 cidades e mais de 1,3 milhão de espectadores. A montagem nasceu de dois anos de pesquisa, seis meses de preparação e dois meses de ensaios. Sua dramaturgia reúne depoimentos, entrevistas e correspondências de Clarice Lispector, além de fragmentos de suas obras, para aproximar o público de seu universo, suas dúvidas e contradições. Sobre o processo de criação, Beth costuma dizer: “fiquei grávida de Clarice e estava tudo na minha cabeça”.

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Perceber que o universo intenso da autora e suas personagens seguem conquistando novas plateias, deixa Beth Goulart radiante. “As pessoas saem felizes e impactadas por Clarice Lispector e só tenho a agradecer pela magia do teatro ter criado esse caminho, através do meu trabalho, como criadora e atriz”, reflete.

Dos fragmentos pinçados de obras emblemáticas de Clarice para a construção da obra estão “Perto do Coração Selvagem”, “Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres”, e os contos “Amor” e “Perdoando Deus”. Na narrativa do espetáculo, Beth entrelaça a autora e as vozes de quatro personagens femininas, Joana, Lori, Ana e mulher sem nome, que representam diferentes momentos da vida e do pensamento de Clarice.

A cenografia minimalista e a iluminação, meticulosamente desenhada, criam um espaço onírico, onde a autora e suas personagens dialogam sobre amor, silêncio, solidão e o mistério da existência. “Simplesmente eu, Clarice Lispector é uma ode ao amor, quando vou de encontro ao viés mais presente e importante da obra da Clarice na busca por esse sentimento, o mais sublime do ser humano”, declara Beth.

A montagem conta com um time de renomados parceiros. A trilha sonora original de Alfredo Sertã, inspirada em Erik Satie, Arvo Pärt e Astor Piazzolla, guia a atmosfera sensorial. A iluminação de Maneco Quinderé e a direção de movimento de Márcia Rubin, assim como a preparação vocal por Rose Gonçalves, adicionam camadas de expressividade à encenação. O cenário, assinado por Ronald Teixeira e Leobruno Gama acolhe e transforma o espaço cênico com a luz e os movimentos da atriz. Amir Haddad assina a supervisão do trabalho da atriz e no figurino, Beth Filipecki reforça a elegância e simplicidade de Clarice e suas personagens.

Premiações

Com a estreia, veio o reconhecimento para Beth Goulart, quando foi premiada como “Melhor Atriz” no “Shell 2009”, “APTR”, “Revista Contigo” e “Qualidade Brasil”, esse que também premiou a montagem como “Melhor Espetáculo”.

O espetáculo

Simplesmente eu, Clarice Lispector é um espetáculo teatral que celebra a vida e a obra da icônica escritora brasileira Clarice Lispector. Concebido, adaptado, dirigido e protagonizado por Beth Goulart, o espetáculo é uma ode ao amor e uma homenagem à importância de Clarice Lispector na literatura e na vida da sua criadora.

É uma jornada emocional que conduz o público pelo universo da escritora, revelando facetas de sua personalidade e de seus personagens. Com uma cenografia minimalista e iluminação meticulosamente desenhada, o espetáculo cria um espaço onírico que reflete a atmosfera da obra de Clarice Lispector.

A concepção

À medida que Beth Goulart ia escrevendo, já imaginava como seria o espetáculo que concebeu. E foram seis meses de preparação e dois meses de ensaio. No primeiro mês de ensaio Beth reuniu os profissionais dizendo a cada um o que desejava. No segundo mês, Beth contou com a colaboração artística do mestre Amir Haddad, que participou de quatro ensaios, quando fez a supervisão da atriz, conversou com Beth e comentou: “jamais terei o primeiro olhar, o meu olhar será sobre o seu olhar” e finalizou: “O espetáculo já está pronto”.

Sinopse

Clarice Lispector conversa com o público sendo ela mesma e suas personagens, quatro mulheres que, para Beth Goulart, representam as várias facetas de Clarice: Joana, que representa impulso criativo selvagem de “Perto do Coração Selvagem”; Ana, do conto “Amor”, que representa a fase da autora dedicada ao marido e aos filhos; Lori, da obra “Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres”, uma professora primária que se prepara para descobrir e se entregar ao amor; e uma personagem sem nome do conto “Perdoando Deus”, com sua ironia, inteligência e humor.

A relação de Beth com Clarice e o viés da dramaturgia:

Clarice falava sobre o amor maternal, o relacionamento, o amor a Deus, à natureza, ao próximo. “Escolhi esse viés para apresentá-la ao público”, assume Beth.

Joana, uma mulher inquieta, que representa o impulso criativo selvagem e foi a primeira personagem de Clarice Lispector que Beth Goulart conheceu, no auge da adolescência, ao ler “Perto do Coração Selvagem”, romance de estreia da autora. Sua identificação foi inevitável: “Eu achava que não era compreendida. O que fazer com isso tudo dentro de mim, com esse processo criativo? Só Clarice me entendia”, confessa a atriz.

Já Ana, do conto “Amor”, leva uma vida simples, dedicada ao marido e aos filhos e tem a rotina quebrada ao se impressionar com a magia do Jardim Botânico: “Ela representa a fase em que Clarice se dedicou totalmente ao marido e aos filhos”, destaca a diretora.

Lóri, da obra “Uma aprendizagem ou o Livro dos Prazeres” é uma professora primária que mora sozinha e se prepara para descobrir e se entregar ao amor. “Toda a obra de Clarice é uma ode ao amor, o sentimento mais transformador do ser humano”, declara Beth.

Há ainda outra mulher sem nome, que, no conto “Perdoando Deus”, se deixa mergulhar na liberdade enquanto passeia por Copacabana: “Essa personagem sem nome representa a ironia, a inteligência e o humor na obra de Clarice. Essas quatro mulheres representam algumas facetas da própria Clarice e foram escolhidas para apresentar ao público a obra de um dos maiores nomes da literatura brasileira”, sentencia Beth Goulart.

Na peça, Beth faz reflexões sobre temas como criação, vida e morte, Deus, cotidiano, solidão, arte, aceitação e entendimento e trabalha pontos característicos da obra de Lispector, como o vazio, o silêncio e o instante-já,: “Aquele momento único, que é como um flash, um insight, em que tudo se esclarece”, explica a atriz.

Para a Beth, representar Clarice Lispector é realizar um antigo desejo: “Eu sempre acalentei essa vontade de um dia poder dar meu corpo, minha voz, minhas emoções para colocá-la viva em cena.”

Ficha técnica: 

Texto: Clarice Lispector | Direção, concepção original, adaptação, atuação: Beth Goulart | Supervisão da atriz: Amir Haddad | Iluminação: Maneco Quinderé | Operadora de luz: Diana Cruz | Trilha sonora original: Alfredo Sertã | Operador de som: Paulo Mendes | Figurino: Beth Filipecki | Camareira: Flávia Cotta | Cenografia: Ronald Teixeira e Leobruno Gama | Diretor de cena: Guaraci Ribeiro | Programação visual: Studio C Comunicação | Assessoria de imprensa local: Território Comunicação | Produção executiva: André Filippe Oliveira | Direção de produção: Pierina Morais | Realização: Self Produções Artísticas LTDA e SESC – DF|

 

Serviço:

Simplesmente eu, Clarice Lispector

Gênero: espetáculo poema

Local: Teatro SESC Paulo Gracindo

Endereço: Setor Leste Industrial, QI 1, Lotes 620, 640, 660 e 680, Gama

Datas: 7 e 8 de novembro de 2026

Horários: sábado, às 19h, e domingo, às 18h

Ingressos: distribuição de ingressos gratuitos no sábado e no domingo a partir das 16h na bilheteria do teatro.

Classificação indicativa: 12 anos

Duração: 60 min

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