Início » Brasiliense de 12 anos se destaca na cibersegurança e apresentará pesquisa em Harvard

Brasiliense de 12 anos se destaca na cibersegurança e apresentará pesquisa em Harvard

Medalhista em competições internacionais, Lucas Freitas Vieira desenvolve projetos em IA, criptografia quântica e conta com o apoio do Instituto Gabriel Gastal (IGG) para ampliar experiências e inspirar outros jovens

Por ETC Comunicação
0 Comentários
Brasiliense de 12 anos se destaca na cibersegurança e apresentará pesquisa em Harvard

Enquanto muitas crianças descobrem a tecnologia por meio dos jogos, o brasiliense Lucas Freitas Vieira queria entender o que existia por trás deles. A curiosidade começou aos seis anos e, aos 12, já o levou a competições internacionais de cibersegurança e ao desenvolvimento de projetos envolvendo inteligência artificial e criptografia quântica. Agora, Lucas se prepara para um novo desafio: apresentar sua pesquisa em um evento que reunirá especialistas de diferentes países na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

Lucas foi convidado a participar, na categoria Young Catalysts, do Global Health Catalyst Summit 2026, em Boston. O encontro reúne pesquisadores, universidades, governos e organizações de diferentes países para promover a inovação e a colaboração nas áreas de saúde e tecnologia.

Durante o evento, o jovem brasileiro apresentará o Quantum Guardian / Quantum Vault, ferramenta desenvolvida por ele que combina computação quântica e criptografia para ampliar a segurança de imagens e registros médicos. 

Projeção internacional

Banner

A participação em Harvard é mais um capítulo de uma história que ganhou projeção internacional em 2025. Lucas conquistou medalhas de ouro e bronze na Olimpíada Internacional Júnior de Cibersegurança, na China, além de prata na Olimpíada Internacional Júnior de Informática, também realizada no país. Antes disso, havia conquistado medalha de prata na Olimpíada Nacional Júnior de Cibersegurança de Singapura (NJCO).

Apesar dos resultados, Lucas nunca enxergou as competições como uma corrida para acumular medalhas. “Nunca quis fazer olimpíada só para ganhar medalha. Mas a vitória na China foi uma virada na minha vida. Depois, quando veio a repercussão, passei a ser um destaque. Foi muito emocionante para mim”, conta.

A curiosidade que começou com um jogo

O interesse pela programação surgiu muito antes das competições. Aos seis anos, Lucas queria entender como os jogos eram construídos. Pediu um computador inicialmente para jogar, mas a máquina acabou abrindo uma porta para outro universo. “Eu jogava e imaginava: ‘o que tem por trás desse jogo?’. Eu queria entender como funcionava por dentro, descobrir o que estava por trás”, lembra.

Foi assim que conheceu o Scratch, plataforma de programação desenvolvida pelo MIT, e começou a avançar por conta própria nos estudos. Hoje, está no primeiro ano do Ensino Médio, é pianista autodidata, fluente em inglês e espanhol e divide seus interesses entre programação, astrofísica, física quântica, inteligência artificial e cibersegurança.

Atualmente, dedica-se especialmente à segurança de sistemas de inteligência artificial e à criptografia quântica. “Estou focando mais em segurança de IAs e criando coisas relacionadas à inteligência artificial. Também estou estudando criptografia quântica, falhas de segurança e detecção de malware”, explica.

Apoio que vai além das viagens

Para que talento e curiosidade se transformem em oportunidades, é preciso também encontrar apoio. Lucas aponta que um dos principais obstáculos para estudantes brasileiros interessados em competições internacionais está justamente na falta de estrutura. “Alguns países têm olimpíadas de cibersegurança há dez anos. O Brasil ainda não tem nenhuma. As equipes dos outros países são estruturadas, treinadas, competem em várias seletivas. Aqui, ainda estamos engatinhando”, avalia.

É nesse contexto que o Instituto Gabriel Gastal (IGG) passou a fazer parte da história do estudante. A instituição apoia deslocamentos e viagens relacionados às suas atividades, mas a parceria vai além do suporte financeiro. Lucas também participa de iniciativas do Instituto, troca experiências com outros estudantes e fala sobre sua jornada em palestras e ações de educação e tecnologia. Ao participar dessas ações, Lucas mostra a outros estudantes que programação, inteligência artificial e cibersegurança também podem fazer parte de seus projetos de futuro.

“Quando apoiamos um jovem como o Lucas, não estamos investindo apenas em suas conquistas individuais. Acreditamos que o conhecimento ganha ainda mais valor quando é compartilhado e consegue abrir caminhos para outras pessoas. Queremos que ele tenha oportunidades de aprender, conhecer novos lugares e trocar experiências, mas também que possa dividir esse aprendizado com outros jovens, mostrando que eles também podem ocupar esses espaços. O IGG acredita no potencial da educação e da tecnologia para transformar trajetórias e, principalmente, no poder de um jovem inspirar outro jovem”,afirma Paloma Gastal, presidente do Instituto Gabriel Gastal.

Para Lucas, essa rede amplia o significado das oportunidades que recebe. “Para mim, o IGG é mais do que apoio material. O que ele me dá, e que eu não teria sozinho, é conexão com pessoas e a possibilidade de participar de ações e projetos de impacto social, porque a tecnologia só tem valor quando resolve problemas para alguém”, afirma.

Talento também traz desafios

A rotina acelerada tem outro lado. Com altas habilidades, Lucas enfrenta desafios em um sistema educacional ainda estruturado para percursos mais tradicionais. Na avaliação do estudante, o Brasil possui profissionais altamente qualificados em tecnologia, mas ainda precisa avançar na formação e no incentivo a novos talentos. Países que começam esse trabalho cedo, observa, conseguem estruturar equipes, promover competições e desenvolver uma cultura de preparação que se reflete nos resultados internacionais.

Mesmo com um currículo incomum para alguém de 12 anos, o conselho de Lucas para quem deseja seguir pela tecnologia é simples: “Não parem de estudar. Esse é um campo que evolui cada vez mais e, se você parar de estudar, vai ficar para trás. Estude o que gosta, para ter prazer em estudar. É o melhor caminho”.

Lucas já pensa nos próximos passos. No futuro, gostaria de trabalhar no exterior e viver na Suíça. Ao mesmo tempo, deseja fazer por outros estudantes o que pessoas e instituições fazem hoje por ele: oferecer apoio para que novos talentos também encontrem oportunidades.

Entre códigos, pesquisas e medalhas, talvez esteja aí uma de suas descobertas mais importantes: o conhecimento pode levar alguém muito longe, mas ganha outro significado quando abre caminhos para outras pessoas.

Você pode querer saber...

O portal Brasília ETC oferece ao público um conteúdo diversificado sobre o que acontece na capital federal -desde eventos artísticos até os melhores destinos turísticos e gastronômicos, bem como novidades, lançamentos de negócios, notícias da sociedade local, moda e, e como o próprio nome sugere, e “muito mais”.