“As obras ritualizam o cotidiano e convocam o corpo da criança para o momento presente.
O público adentra um universo analógico, de delicadeza, encantamento e tempo expandido. Elementos sensoriais aguçam os sentidos e autômatos recriam o ritmo da natureza e das meninices. Aos adultos, o convite é experienciar a obra do ponto de vista da criança – em estatura, maravilhamento e curiosidade.” Maria Ezou
Como parte da programação do projeto Cidadela, que atualmente apresenta a exposição homônima da artista visual Maria Ezou na CAIXA Cultural Brasília, a artista recebe, no dia 22 de agosto, às 14h, Amara Hurtado, arte-educadora e criadora cênica da brasiliense As Caixeiras Cia. de Bonecas, para uma mesa de debates aberta ao público sobre arte e infância. Para encerrar a exposição, Maria Ezou realiza ainda a última visita mediada no dia 23 de agosto, às 10h, e, em seguida, – em parceria com o Gente Arteira -, ministra a última oficina aberta ao público, a Expandir Territórios Livres, que conduzirá as crianças no manuseio das mudas plantadas durante a exposição para destinação à projetos de reflorestamento.
A exposição Cidadela
Idealizada por Maria Ezou, a Cidadela é uma experiência imersiva no universo das infâncias, suas sensações e subjetividades. O projeto Cidadela, circula o Brasil desde 2022, e, em diferentes formatos, já passou pelos estados de Minas Gerais, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal, alcançando um público de mais de 69.000 pessoas.
A Cidadela é uma instalação interativa, que materializa uma cidade imaginária e biocêntrica, uma fortaleza onírica onde os seres humanos, seus corpos, as casas e o restante da natureza são partes de um mesmo sistema: harmônico e fantástico.
Ao chegar na exposição, o público se depara com um portal de entrada, que se assemelha à uma trama de raízes aéreas de mangue e à silhueta de uma montanha. A estrutura, que leva o nome de “estufa”, tem suportes que guardam pequenos vasos biodegradáveis com matéria orgânica, sementes e mudas de plantas nativas do bioma original da cidade de Brasília, o Cerrado, além de lápis e papel. Ali o público pode realizar suas primeiras interações com a obra, seja pelo plantio de mudas que serão destinadas à restauração ambiental ou realizando um autorretrato que integrará a galeria de novos “habitantes” da Cidadela.
Ao adentrar um pouco mais, descortina-se a cidade formada por 15 “casas-corpos” – esculturas feitas a partir do molde do tronco da própria artista, com diminutas janelas e portas em seu ventre, que dão acesso a minimundos imaginários. No interior de cada “casa-corpo”, o olhar curioso se depara com uma dramaturgia particular, dialogando com um aspecto diferente da infância, interconectado com o fluxo dos corpos e suas distintas emoções, o cotidiano das casas e as dinâmicas da natureza. Para contar cada história, o cenário e objetos, em miniatura, são animados por autômatos mecânicos e eletrônicos, pela transição de luzes e pela trilha sonora individual de cada casa, além de estímulos auditivos como o som das águas, do vento, do pisar na terra e do crepitar do fogo. Cada “casa-corpo” recebe também uma audiodescrição, que promove a acessibilidade.
O fio condutor das obras são as artes têxteis, que Ezou intersecciona com o teatro de animação, a arte eletrônica, o audiovisual, a literatura, as musicalidades e os autômatos artesanais. Ela ainda emprega técnicas auxiliares como marcenaria, serralheria artesanal e colagem e, por fim, as conecta a saberes como mecânica do movimento, arquitetura vernacular, biologia e agroecologia. Assim, Maria tece o enredo que resulta na narrativa maior, o mundo sonhado da Cidadela.
Para proporcionar uma experiência plena às crianças, a expografia respeita as dimensões dos pequenos, e os minimundos são localizados na altura do olhar da criança. Para os adultos, o convite é para que experimentem a Cidadela a partir do ponto de vista dos pequenos.
A exposição pretende reafirmar o corpo como espaço de autonomia e alteridade e, por isso, cada espectador escolhe sua trilha de visitação, descobrindo, em cada Casa, um universo particular e a temática inerente à infância daquela obra. Compõem a Cidadela as Casas Gestar; Infância; Memória; Amor, Raiva; Empatia; Espera; Afeto; Alegria; Proteção; Desafio; Preguiça; Liberdade; Medo e Tristeza. Em Cidadela, o corpo de Maria Ezou é o corpo do universo. Raízes, corpo, montanha. Mulher-natureza, guiada por mapas, casas e seus interiores – cartografias que apontam para a direção coletiva. Cartógrafa dos afetos, parte das espacialidades e mergulha nas infâncias como um ato político. Onde o caminhar coletivo é o único possível.
Hoje as obras de Ezou estão situadas no campo das artes visuais, da performance e da instalação, mas, nos primeiros anos de sua trajetória, produziu muitos trabalhos para o campo das artes cênicas e com teatros de grupo, assim aprendeu e aprimorou seu ofício na lógica da colaboração e coletividade. Em a Cidadela, essa dinâmica segue presente. As obras da exposição têm a concepção e realização individual de Maria Ezou, mas contam com a colaboração de outros artistas e mestres de diferentes ofícios, que, convidados por Maria, trouxeram sua especialidade para o processo de preparação das obras. Entre os 17 convidados estão André Mehmari (produtor e intérprete musical); Heloisa Pires Lima (dramaturgia do movimento); Juliana Notari(dramaturgia do movimento); Mônica Cardim (fotografia artística); Leonardo Martinelli (composição musical); Willian Oliveira (desenvolvimento dos sistemas eletrônicos); Cristina Souto (desenho de luz), entre outros.
Mais informações sobre o Projeto Cidadela: Link
Maria Ezou – Artista Visual para as Infâncias
Premiada artista, performer e educadora, Maria Ezou é porta-voz do movimento das artes visuais para as infâncias e trabalha o universo onírico e fantástico contando histórias imersivas e sensoriais. Com Licenciatura em Educação Artística (UNESP), chegou a cursar parte do Bacharelado em Artes Plásticas (FAAP) e tem formação em Cenografia. Em uma infância de liberdade, experimentação e integralidade com a natureza, Maria foi uma criança curiosa e apaixonada pelo funcionamento das coisas, dos corpos, dos fluxos e dos lugares. Encantamentos que se tornaram estruturantes em sua obra. Filha de mãe arquiteta, entrou em contato com a arquitetura vernacular muito cedo e, ainda criança, viajou com a família pela América Latina, quando conheceu as cosmogonias Inca e Maia. O avô lhe transmitiu a paixão pelos autômatos, em seu “incrível quarto de invenções”. A cozinha de sua avó materna foi uma de suas primeiras inspirações para as manualidades artísticas e a máquina de costura, de sua outra avó, daria vida às suas primeiras criações têxteis. Ezou dialoga com o biocentrismo ancestral, de seu país e continente, e é possível identificar, em sua obra, o corpo biocêntrico; as espacialidades e seus fluxos, além do aspecto político. De modo não óbvio, reverencia aspectos culturais comuns aos povos originários do Brasil e da América Latina e revisita saberes desses povos para propor um diálogo das esperanças. A lida com o tecido, entremeada com o fazer artístico – lógica presente em culturas latino-americanas – é um dos exemplos em sua obra. Os campos de atuação de Maria Ezou são as artes visuais, a performance e a instalação, com a presença recorrente de autômatos e objetos sensíveis. Ela respeita os tempos e o corpo expandido e integral das infâncias, por isso desenvolve obras analógicas e na escala das crianças. A artista das infâncias decoloniais, contempla diferentes contextos das infâncias. Entre seus trabalhos estão: Projeto Cidadela [Exposições: Cidadela-Corpo – Sesc Pompeia (2022), Cidadela Fotos – Circulação Minas Gerais, Brasília e São Paulo (2023), Cidadela – CAIXA Cultural Fortaleza, 2023/24]; Quadro bordado “Janelas do Céu”- vencedor do CONTRASTES MAB FAAP (2003); Performance “Fauna InFesta“ – exposição Augusto de Campos, no Sesc Pompéia (2016); Direção de arte dos espetáculos “A Ciranda do Villa“ – indicado aos prêmios FEMSA e Cooperativa Paulista de Teatro; “Os Saltimbancos“, (2008)- indicado ao prêmio FMSA (2008); “O Príncipe Feliz“ premiado pelo 13º Festival Cultura Inglesa (2009); “Grandes Pequeninos” Indicado ao Grammy Latino de Música (2010); “Mário e os Marias“, premiado pelo APCA de Melhor Espetáculo de Rua para Crianças (2012) e “Coágulo” – performance videoarte premiada no RUMOS Itaú Cultural (2021).
Amara Hurtado
É arte-educadora e criadora cênica, licenciada em Artes Cênicas, com especialização em Arteterapia, Kundalini Yoga e Psicologia Infantil. Integra o grupo As Caixeiras Cia. de Bonecas desde 2007. Sua trajetória atravessa o teatro, a escuta e o cuidado, com a criação de experiências sensíveis — muitas vezes em pequena escala, como no Teatro Lambe-lambe. Há mais de 20 anos, desenvolve metodologias expressivas voltadas ao autoconhecimento de mulheres e crianças.
Ficha técnica o debate – ARTE E INFÂNCIA
Maria Ezou – (Cidadela)
Amara Hurtado – (As Caixeiras Cia. de Bonecas)
Ficha técnica da exposição
Exposição Cidadela
Maria Ezou – Concepção e realização
Colaboradores convidados
Mônica Cardim – Fotografia casa Memória
Heloisa Pires Lima – Dramaturgia do movimento e textos do Site
Juliana Notari – Dramaturgia do movimento e textos do Site
Gabriela Zuquim – Consultoria ambiental
Leonardo Martinelli – Composição musical
André Mehmari – Produção e intérprete musical
Marina Quintanilha – Animação da Casa Memória
Eduardo Salzane – Consultoria de arte mecânica
Alecsandro T Silva – Consultoria de arte mecânica
Alexandre Benedetti – Desenvolvimento dos sistemas eletrônicos
Cristina Souto – Desenho De Luz
Fábio Luiz Souza Gomes e Joseane Natali Domingos – Serralheria
Rager Luan – Modelagem das peças em fibra de vidro
Alê Noguchi – Modelagem das peças em bambu
Rita De Cassia Martins – Confecção das roupas das Casas
Mônica Cristina Rocha – Confecção casulos
Joana Bertolini De Araújo – Estagiária assistente
Wanessa Costa – Estagiária assistente
Bruno José – Ilustração site
Monica Machado – Programação Site
Laura Corcuera – Assessoria de comunicação
Itinerância CAIXA Cultural
CAIXA – Realização
Maria Ezou – Idealização, Coordenação e Direção Artística
Déborah Minardi e Sara Loiola – Produção Local
Plano Nacional “Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis MST – Plantio Estufa
Nany Gottardi – Locomotiva Cultural – Assessoria de Imprensa
Mônica Cardim – Fotos de Divulgação
Kelly Gonçalves – Studio Âmago Mkt – Assessoria de redes sociais
Ana Muriel – Artes Gráficas
WL Serviços – Impressões Gráficas
Montagem e Iluminação – Pablo Só Montagem
Alves Tegam – Transportadora
Howden – Corretora de Seguros Seguro de obras de arte
Serviço:
Mesa de debate sobre arte e infância com Maria Ezou (Cidadela) e Amara Hurtado (As Caixeiras Cia. de Bonecas)
Data: 22 de agosto de 2026, às 14h
+++
Exposição Cidadela
Data: Até 23 de agosto de 2026
Funcionamento da exposição: Terça a Domingo, das 9h às 21h.Classificação indicativa: livre
Local: CAIXA Cultural Brasília
Endereço: SBS – Quadra 4 – Lotes 3/4 – Brasília – DF
Entrada franca
Agendamentos para grupos e escolas: 61 99922-0765
Acessibilidade: A exposição conta com o recurso de audiodescrição e acesso para pessoa com deficiência
Estacionamento gratuito para visitantes aos finais de semana e feriados, de terça a sexta disponível a partir das 18h
Programação adicional:
22 de agosto, às 10h
Oficina Expandir Territórios Livres e Visita Mediada
Uma ação educativa voltada à destinação das mudas plantadas durante a exposição.
23 de agosto, às 10h
Visita Mediada de Encerramento
Um último percurso guiado pela artista e curadora Maria Ezou.
Informações: acesse o site
Patrocínio: CAIXA e Governo Federal
