Com remuneração inicial de R$ 32 mil, podendo chegar a cerca de R$ 41 mil, o concurso da Câmara dos Deputados está entre as seleções mais atrativas para quem busca uma carreira no serviço público. O edital, publicado no início de outubro, contempla diferentes especialidades, entre elas Registro e Redação Parlamentar, antiga Taquigrafia, e áreas de Comunicação Social, como Jornalismo, Divulgação Institucional e Relações Públicas.
Apesar da proximidade da prova, marcada para 17 de janeiro de 2027, especialistas avaliam que ainda há tempo para uma preparação estratégica. O desafio, no entanto, é lidar com a variedade de temas cobrados, que vão muito além dos conhecimentos específicos de cada profissão.
Para Leo van Holthe, professor da área de Direito do IMP Concursos, a seleção exige que o candidato consiga englobar diferentes áreas de conhecimento. “Para ser aprovado neste concurso, é preciso dominar o conteúdo e fazer uma excelente prova, dentro de uma perspectiva de equilíbrio entre todas as disciplinas”, explica.
Na parte de conhecimentos básicos, os candidatos terão Língua Portuguesa, Língua Inglesa, Tecnologia da Informação e Dados, Direito Constitucional, Direito Administrativo, Administração Pública, Regimento Interno da Câmara e Regimento Comum do Congresso. Já os conhecimentos específicos variam de acordo com a especialidade escolhida.
Para quem pretende concorrer às vagas de Comunicação Social, por exemplo, o domínio das disciplinas relacionadas à área é fundamental, mas não suficiente. Segundo o professor, o candidato também precisará estudar temas que normalmente não fazem parte da rotina de preparação de um profissional da comunicação, como Ciência Política, Processo Legislativo, entre outros.
“Não adianta ser apenas bom no conteúdo específico de Comunicação Social. O candidato também vai ter que dominar outros temas para se diferenciar dos demais”, afirma.
A recomendação é que os candidatos dividam o tempo de preparação entre conhecimentos básicos e específicos, com prioridade para a segunda parte. Isso porque, além da prova objetiva, os conteúdos específicos também estarão presentes nas avaliações discursivas. A orientação do especialista é dedicar, em média, 60%, no máximo, 70% do tempo aos conhecimentos específicos e 40% ou no mínimo 30% aos básicos, ajustando a proporção de acordo com a bagagem de cada candidato, mas, ainda assim, atentando que o equilíbrio será a chave do sucesso.
Além da remuneração, as vagas de Comunicação Social oferecem aos profissionais a possibilidade de atuar diretamente na cobertura e divulgação das principais decisões políticas do país.
De acordo com o professor, trabalhar na Câmara proporciona uma experiência diferenciada para comunicadores, que passam a acompanhar de perto o processo político e a ter contato direto com deputados federais e senadores.
“É uma profissão extremamente gratificante e desafiadora. O comunicador vai estar cobrindo o Congresso Nacional com uma vantagem em relação a quem cobre de fora, com acesso direto a parlamentares”, afirma.
Registro e Redação Parlamentar
Uma das áreas que mais chama à atenção pela especificidade é a de Registro e Redação Parlamentar, carreira anteriormente conhecida como Taquigrafia. Para essa função, o edital traz uma novidade: a disciplina de Reconhecimento de Fala, relacionada ao uso de aplicativos, ferramentas e APIs de tecnologia para auxiliar no registro oficial dos discursos realizados na Câmara.
A seleção também não terá uma prova prática tradicional de apanhamento taquigráfico. Por isso, além do domínio da Língua Portuguesa e de conhecimentos de linguística, o candidato precisa se preparar para os demais conteúdos, como Ciência Política, Processo Legislativo, Direito Regimental e Tecnologia da Informação.
Para o professor, um dos principais erros de quem disputa a vaga é concentrar os estudos apenas na parte de linguística. “Também será importante saber Ciência Política e essa nova disciplina de Reconhecimento de Fala, além dos demais conhecimentos previstos no edital”, orienta.
A carreira também se destaca pelo fato de aceitar candidatos com qualquer formação de nível superior, incluindo bacharelado, licenciatura e cursos superiores de tecnólogo, conforme as regras previstas no edital.
Dica de preparação
Com pouco mais de três meses até a prova, a recomendação é que o candidato não espere dominar todo o edital para começar. A estratégia, segundo o profissional, deve ser identificar os pontos fortes e fracos, manter uma rotina constante e buscar equilíbrio entre as disciplinas.
“Quem fizer uma boa preparação nesses três meses e meio pode, sim, se considerar no páreo para essa prova”, conclui.
