Em um cenário de violência contra as mulheres, aprofundamento das desigualdades sociais e sobrecarga do trabalho de cuidado, especialmente nas periferias, o Coletivo de Mulheres da Central de Movimentos Populares (CMP) realizou, entre os dias 1º e 3 de maio, em Brasília, o III Encontro Nacional de Mulheres da CMP e Seminário Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio e pela Saúde Mental das Mulheres nas Periferias, reunindo mulheres de diversos estados do país.
As discussões evidenciaram a necessidade de fortalecer políticas públicas estruturantes para o enfrentamento ao feminicídio, ampliando a rede de proteção, qualificando o atendimento institucional e garantindo prioridade às mulheres em situação de violência. Também foi destacada a importância de reconhecer a saúde mental das mulheres das periferias como uma questão central.
A atividade foi marcada por debates, trocas de experiências e construção coletiva de propostas voltadas ao enfrentamento da violência de gênero e à defesa de políticas públicas para as mulheres.
Outro ponto de destaque foi o debate sobre o cuidado como eixo estruturante das desigualdades. As participantes ressaltaram que a sobrecarga do trabalho de cuidado, historicamente invisibilizado e não remunerado, recai majoritariamente sobre as mulheres, impactando diretamente seu acesso a direitos, renda, participação política e qualidade de vida.
O encontro também apontou a necessidade de avançar na construção de uma política nacional de cuidados, com financiamento público e ampliação de equipamentos como creches e serviços de apoio, além da valorização do trabalho de cuidado e da promoção de uma divisão mais justa dessas responsabilidades.
Como encaminhamento político, o encontro definiu o fortalecimento dos coletivos de mulheres da CMP em todos os estados, a ampliação dos processos de formação política e a garantia da presença paritária das mulheres nos espaços de decisão da entidade.
Nova coordenação nacional
O seminário foi encerrado no dia 3 de maio, na sede da Contag, com a eleição de Andreza Romano como nova coordenadora nacional do Coletivo de Mulheres da CMP. A escolha ocorreu na plenária final, que reuniu delegadas de diferentes territórios do país.
Ao assumir a função, Andreza destacou o compromisso de fortalecer a organização das mulheres nos territórios: “queremos construir um coletivo plural, com representatividade, para toda e qualquer mulher. A força da CMP está na diversidade das periferias, dos assentamentos, das ocupações e das organizações que constroem essa luta todos os dias”.
A nova coordenadora também reforçou que o enfrentamento ao feminicídio deve permanecer como prioridade e envolver toda a sociedade. “Estaremos comprometidas com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Queremos chegar a todas as comunidades, onde houver uma mulher, estaremos lá. O cenário eleitoral é decisivo: pode ampliar ou restringir direitos, fortalecer políticas públicas ou aprofundar a misoginia. Por isso, é urgente que toda a sociedade se envolva nesse projeto de transformação, para garantir que todas as mulheres tenham suas vidas protegidas”, declarou.
Programação e participação
A mesa de abertura do Encontro contou com a participação de Andreza Romano e Miriam Hermógenes, pela CMP, além de representantes de diferentes organizações e instituições, como Cristiane Santos, do Ministério da Saúde, Sandra Kennedy, do Ministério das Mulheres, Carli Sena da Cunha, da Marcha Mundial das Mulheres, Elisa Estronioli, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Melissa Vieira, da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e da Marcha das Margaridas, e Raimundo Bonfim, da Secretaria-Geral da Presidência da República.
Ao longo da programação, foram realizadas mesas de debate e oficinas temáticas. Entre elas, a oficina do período da manhã abordou temas como violência e política de gênero, política dos cuidados, saúde mental e o fortalecimento do Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio. A atividade foi coordenada por Genilce Gomes e Melayne Macedo, com a participação de Bruna Camilo, Verônica Ferreira, Cristiane Santos e Maria Helena Guarezi.
O encontro foi encerrado com o compromisso de transformar as propostas debatidas em ações concretas nos territórios e na luta cotidiana por uma vida sem violência e com dignidade para todas as mulheres.

