O som metálico que guia os caminhos do Maracatu de Baque Virado será tema da próxima oficina promovida pelo grupo Zenga Baque Angola. Neste domingo (28), às 10h, a Casa de Cultura do Guará recebe uma formação gratuita dedicada ao gonguê, instrumento responsável por conduzir as marcações rítmicas que orientam todo o conjunto percussivo do maracatu-nação. As inscrições são feitas pelo formulário eletrônico.
Conduzida por Jorge do Pandeiro (Tata Kossykitalemym), a atividade oferecerá uma imersão teórico-prática voltada tanto para iniciantes quanto para pessoas com experiência em percussão. Ao longo do encontro, os participantes terão contato com conteúdos que vão dos fundamentos básicos às possibilidades mais avançadas de execução do instrumento, em uma metodologia dinâmica, lúdica e centrada na prática coletiva.
“Para quem tá descobrindo a cultura popular afro-brasileira, digo que esse mergulho [por meio da oficina] é incrível, pois nada mais obrigatório para o cidadão brasileiro que estudar sua ancestralidade e entender um pouco mais sobre sua história e seu papel no meio em que vive. E essa aproximação com o Maracatu é apaixonante: um ritmo incrível que traz toda a história da diáspora africana para o Brasil, com sua cultura ancestral e musicalidade que encantam”, assinala Jorge.
No Maracatu de Baque Virado, o gonguê desempenha um papel fundamental na construção da musicalidade. Seu toque funciona como referência para os demais instrumentos, estabelecendo diálogos com alfaias, caixas, agbês e ganzás. Mais do que um elemento musical, o instrumento integra uma tradição cultural que atravessa gerações e mantém viva a herança afro-brasileira presente nas nações de maracatu de Pernambuco.
Em 19 de julho, o Ecos Ancestrais promove a última oficina desse ciclo do projeto, dedicada à alfaia, tambor de som grave que é considerado o “coração” do Maracatu. Feito de madeira e couro, a alfaia também é usada em outros ritmos tradicionais, como o Coco e a Ciranda, também símbolos da cultura pernambucana.
Maracatu-Nação (Baque Virado)
Com raízes históricas profundamente ligadas ao estado pernambucano e às contribuições dos povos africanos e afrodescendentes para a formação da cultura brasileira, o Maracatu de Baque Virado é reconhecido como uma das mais importantes manifestações da cultura popular do país. Nesse contexto, o Zenga Baque Angola atua como guardião e difusor dessa tradição no Distrito Federal, promovendo espaços de aprendizado, convivência e transmissão de saberes.
A iniciativa fortalece a circulação de conhecimentos ligados ao patrimônio cultural imaterial brasileiro e amplia o acesso da população às práticas que compõem o universo do maracatu-nação. Por meio das oficinas, participantes têm a oportunidade de vivenciar não apenas aspectos técnicos da música, mas também os valores de coletividade, ancestralidade e pertencimento presentes nessa manifestação cultural.
Sobre o projeto
A oficina integra um ciclo formativo realizado pelo Zenga Baque Angola ao longo de 2026. O projeto promove oficinas sobre os diferentes instrumentos do Maracatu de Baque Virado, além de ações de confecção e manutenção de instrumentos, produção de figurinos e atividades de fortalecimento cultural do grupo. A programação inclui ainda encontros com convidados da Nação de Maracatu Leão da Campina, de Pernambuco, ampliando o intercâmbio entre Brasília e uma das mais tradicionais referências do maracatu-nação.
Zenga Baque Angola
Fundado em 2017, o Zenga Baque Angola nasceu a partir do encontro entre batuqueiros de Brasília e o mestre Hugo Leonardo, regente da Nação de Maracatu Leão da Campina. Desde então, o coletivo constrói uma trajetória de conexão entre o Distrito Federal e Pernambuco, mantendo vínculos culturais e espirituais com a tradição do maracatu-nação. O grupo é filiado à Nação Leão da Campina e recebe orientação espiritual da Mametu Nadja Baléginam, matriarca do terreiro Kaiangu Kia Ítembu e sacerdotisa do Candomblé Angola Goméia.
O Ecos Ancestrais é realizado pelo Grupo Zenga Baque Angola, com fomento do Fundo de Apoio à Cultura (FAC-DF) e da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec-DF).
Programação do Ecos Ancestrais:
28 de junho: Oficina de Gonguê, com Jorge do Pandeiro
19 de julho: Oficina de Alfaia, com Alessandra Rosa
Serviço – Ecos Ancestrais: oficina de Gonguê de Maracatu
Quando: Domingo, 28 de junho, às 10h
Onde: Casa de Cultura do Guará
Inscrição: https://docs.google.com/forms/
Gratuito
Redes: https://www.instagram.com/

