Ação questiona a baixa presença de artistas brasileiros protagonizando a cultura do baile funk pelo mundo
Embratur aposta no potencial turístico do funk em atrair novos visitantes globais ao Brasil, especialmente a juventude interessada em culturas urbanas
O funk brasileiro ganha uma plataforma dedicada a sua história, diversidade e expansão internacional durante a WOMEX – The World Music Expo 2026, uma das principais conferências e feiras de música do mundo. Entre 21 e 25 de outubro, o projeto Baile Funk Invasion chega à 32a edição do evento, que este ano acontece em Las Palmas de Gran Canária (ES).
Apresentado pela Empresa Brasileira de Turismo – Embratur e criado pelo festival brasileiro de música Favela Sounds, Baile Funk Invasion consiste em uma exposição imersiva que atravessa mais de três décadas de desenvolvimento do funk nas periferias brasileiras, apontando para os caminhos globais de um gênero que hoje influencia pistas, artistas e produtores em diferentes continentes.
A instalação acompanha a trajetória do movimento desde os bailes e as equipes de som que ajudaram a formar a cena carioca, passando por sua expansão para novos territórios em todo o país, pela criação de múltiplos subgêneros e pelos caminhos que levaram o estilo a se consolidar como uma das principais expressões da música eletrônica do Sul Global. A iniciativa conta com o apoio inédito da Embratur para apresentar o funk como um dos principais traços das identidades brasileiras contemporâneas, reconhecendo-o como um importante atrativo para turistas estrangeiros, especialmente os mais jovens, que visitam o Brasil.
Sendo a cultura um dos principais ativos de exportação e de atratividade turística no país, é natural que a música que hoje domina a difusão de nossas identidades pelo mundo seja, também, protagonista na captação de turistas estrangeiros. Para Roberto Gevaerd, diretor de Gestão e Inovação da Embratur, “o samba foi por muitos anos o grande atrativo cultural brasileiro e cumpriu trajetória similar à do funk, anos antes. Com mais de um século de história, o estilo foi alvo de perseguições e preconceito e tornou-se décadas mais tarde uma das principais referências de Brasil mundo afora. Assim vem acontecendo com o funk brasileiro, que hoje é trilha sonora de grandes campanhas, projetos audiovisuais e um fator de despertar de interesse e curiosidade global por nosso país”.
Entre telas, arquivos históricos, depoimentos, vídeos e manipulações gráficas, Baile Funk Invasion traz a história e a diversidade do funk conectadas e contextualizadas às mudanças sociais, tecnológicas e culturais do país, enquanto olha para fora do Brasil e investiga como o estilo passou a circular e ganhar notoriedade internacionalmente, dialogando com cenas da Europa, África, América Latina e outros territórios. Em três etapas, são abordados o nascimento e primeiros anos do funk no Rio de Janeiro; sua difusão através das regiões brasileiras enquanto identidade cultural nacional; e o alcance global do estilo junto às perspectivas de futuro para o gênero.
A exposição imersiva ocupa espaço de 24 metros quadrados em meio ao mercado da Womex, estando disponível para mais de 3 mil importantes players do mercado global da música, que poderão se aproximar das narrativas do funk, aprimorar seus conhecimentos e pensar possibilidades de articulação com artistas do estilo em seus trabalhos ou eventos. O projeto tem direção criativa e curadoria de Guilherme Tavares e Amanda Bittar, visuais do artista plástico Dnego Justino, edições de Ada Souza e motion design de Thiago “Penahx” Macedo.
Para Amanda Bittar, diretora-geral do Favela Sounds e co-curadora da exposição, o crescimento do consumo do funk fora do país evidencia sua consolidação como um dos principais traços da cultura brasileira no exterior e um importante ativo para a projeção da imagem do Brasil. Ao mesmo tempo, esse movimento acende um alerta sobre como a história do gênero vem sendo difundida internacionalmente e quem tem ocupado o protagonismo dessa narrativa.
“Esta é uma grande oportunidade de apresentar a história do funk e suas diversas vertentes ao público europeu, que já consome o gênero, mas muitas vezes sem conhecer sua origem e, principalmente, sem reconhecer seus verdadeiros criadores. Com Baile Funk Invasion, queremos ampliar a compreensão do público que consome funk fora do Brasil sobre a origem do movimento e seu impacto social e econômico nas favelas brasileiras, ao mesmo tempo em que aproximamos os talentos do gênero de distribuidores, sincronizadores e outros players interessados na música do Sul Global.”
A proposta permite que o público experimente a linguagem do funk na prática, para além do reconhecimento histórico, em duas experiências imersivas. A primeira chama-se “Let’s dance passinho” e tem à frente Arielle Macedo, bailarina e, há mais de uma década, coreógrafa da cantora Anitta. Nela, Arielle ensina o público a dançar uma coreografia original de funk, criada para faixa também original do DJ e produtor musical paulista Rafinha MPC. Através de uma tela vertical, o visitante assiste e reproduz a coreografia, enquanto é filmado. Ao final, um vídeo da experiência é exportado e ofertado através de QR code, podendo ser publicado em redes sociais.
A segunda, desenvolvida por Rafinha MPC, oferece uma oportunidade de o visitante manipular uma MPC, um dos principais instrumentos de reprodução e improviso dentro do universo dos DJs de funk. Também em tela vertical, o visitante é convidado a “atacar” de DJ e improvisar beats e interferências sonoras em um equipamento disponibilizado para esta experiência.
Além das telas que contam as histórias do estilo, e das duas experiências imersivas, a exposição também apresenta um mapa do Brasil que explora a diversidade e representatividade do estilo pelo país nos dias de hoje. Nele, o público poderá conhecer diferentes subgêneros do funk e experimentar a vastidão de referências e características próprias, musicais e estéticas, absorvidas por cada vertente.
Segundo Guilherme Tavares, diretor artístico do Favela Sounds e co-curador da exposição, ocupar um dos principais encontros do mercado musical internacional com uma experiência dedicada ao funk também é uma forma de disputar novas narrativas sobre a música brasileira e pautar a necessidade de se pensar a real presença brasileira enquanto o estilo se desenvolve em outros territórios.
“O funk já atravessou as fronteiras do Brasil e está entre as principais referências de DJs e produtores da música eletrônica da Europa e do Reino Unido, embora ainda seja baixa a presença e o protagonismo brasileiro do próprio estilo quando exportado. Vemos muitos produtores ingleses, russos, franceses e de outras nacionalidades criando funk, e até o recente phonk, que domina redes sociais com músicas algumas vezes produzidas por inteligência artificial, mas a internacionalização do gênero ainda carece de maior presença de fato brasileira em sua produção e difusão”, aponta.
Hoje são poucos os DJs e produtores brasileiros no funk com notoriedade global e menor ainda é a compreensão da dimensão política, histórica e contextual do gênero entre os frequentadores das pistas onde toca o que o mundo carinhosamente apelidou de “baile funk”. De alguma forma, esta é uma ação de advocacy que ajuda o mercado da música global a compreender a importância das contribuições da cultura periférica à música eletrônica global.
Diálogos globais sobre o funk brasileiro
Além da experiência imersiva, o projeto Baile Funk Invasion também programa um debate especial dentro da programação da Rádio WOMEX, em 2026 desenvolvida pela rádio espanhola RBL (Rádio Banda Larga), de nome “Is Baile Funk here to stay?”. O encontro reúne diferentes perspectivas sobre a presença do funk fora do Brasil e os desafios para ampliar a participação de artistas, produtores e profissionais brasileiros nos circuitos internacionais do próprio estilo.
Com transmissão ao vivo pela RBL Radio para todo o mundo, o debate acontece dia 22 de outubro, das 19h15 às 20h45 (GMT), e conta com a participação de Deize Tigrona, uma das vozes fundamentais da história do funk carioca, hoje baseada em Marselha, na França; Roberto Gevaerd, diretor de Gestão e Inovação da Embratur; e Allexia Galvão, Supervisora de Economia Criativa da Embratur, sob a mediação do co-curador da exposição e diretor artístico do Favela Sounds, Guilherme Tavares.
Dez anos de Favela Sounds
O Baile Funk Invasion nasce da experiência acumulada pelo festival Favela Sounds ao longo de uma década conectando artistas e cenas periféricas do Brasil a profissionais e iniciativas de diferentes partes do mundo. Criado em Brasília, em 2016, pela Um Nome – Agência Criativa, o Favela Sounds consolidou-se como uma plataforma dedicada à música e às culturas produzidas nas periferias e guetos globais. Ao longo de suas edições, o projeto reuniu mais de 200 artistas brasileiros e de outros 15 países, promovendo também encontros profissionais, ações de formação, debates e diferentes iniciativas de memória e documentação.
Em 2026, ano em que completa dez anos, o Favela Sounds amplia sua atuação internacional e reforça uma das ideias presentes desde sua criação: as periferias não estão à margem da inovação cultural. São territórios centrais para compreender os movimentos que transformam a música, a estética e o comportamento contemporâneos. Na WOMEX, o Baile Funk Invasion transforma essa perspectiva em uma experiência dedicada a uma das maiores contribuições das periferias brasileiras para a cultura global.
PROGRAMAÇÃO NA WOMEX
EXPOSIÇÃO – BAILE FUNK INVASION
An immersive exhibition exploring the history, diversity, and global impact of Brazilian funk. From favela bailes to dance floors around the world, Baile Funk Invasion traces the genre’s territories, aesthetics, and transformations through images, sounds, videos, and interactive experiences, celebrating funk as one of the most inventive and influential expressions of contemporary Brazilian culture.
DEBATE – IS BAILE FUNK HERE TO STAY?
Circulation, collaboration and Brazilian protagonism on baile funk in Europe and the UK.
A conversation about the growing presence of Brazilian funk in Europe and the UK, looking beyond its sonic influence to discuss representation, circulation and business. Through the perspectives of artists, cultural agents, media and Brazilian tourism promotion, the discussion asks whether Europe’s current interest in funk can become a lasting movement, how Brazilian voices can retain greater protagonism as the genre expands internationally, and what more sustainable models of collaboration between Brazil and Europe could look like.
SERVIÇO – EXPOSIÇÃO BAILE FUNK INVASION NA WOMEX 2026Quando: 21 a 24 de outubro de 2026
Onde: WOMEX 2026, Las Palmas de Gran Canaria, Espanha
Como acessar: somente credenciados
SERVIÇO – DEBATE” IS BAILE FUNK HERE TO STAY?” NA RÁDIO WOMEXQuando: 22 de outubro de 2026
A que horas: 19h15 às 20h45 (GMT) / 16h15 às 17h45 (Horário de Brasília)Onde: Rádio WomexComo acompanhar online? https://rbl.media/
