Ultimamente, o espelho tem sido aquele amigo sem papas na língua que, muitas vezes, a gente prefere evitar, mas, nem sempre é possível. Ele fica ali por perto, e quando precisamos enxergar a verdade, dolorosa ou não (depende do ângulo que se observa), é a ele que recorremos. A verdade seja dita. Estou prestes a completar 40 e, sem dúvidas, é melhor encarar a realidade de frente mesmo.
Nem faz tanto tempo assim que estava no auge dos meus 15 anos. Lembro, perfeitamente, as minhas tias dizendo: “Nossa, essa menina cresceu, tá uma moça”. A frase da tiazona, veja bem, virou a minha predileta. E a ficha só caiu quando vi as amigas fazendo skincare e usando creme anti-idade. Fiquei preocupada? Com certeza.
Logo providenciei uma consulta ao oftalmologista. E é claro, o meu grau estava desatualizado. A partir daí, lupa nova e momentos nunca vividos com espelhos em geral, inclusive os de provadores. Já experimentou? Não recomendo. Eles podem ser cruéis.
Um fio branco ali outro acolá (arranco uns de vez em quando), rugas e manchas que nem sei há quanto tempo existem. E posso afirmar, com toda a certeza, que foram nesses momentos, em frente ao espelho e enxergando tudo e mais um pouco, que entendi, na pele, o significado da palavra colágeno. Se você ainda não entendeu, fique tranquilo (a), este dia chegará, ou não. Afinal, envelhecer não é para todos.
Eu ainda estou começando neste processo e, por mais que assuste (um pouco de drama), eu sei que está repleto de significados. O espelho também reflete a mulher que me tornei e enxergo todas as minhas lutas, conquistas, tristezas e alegrias (as rugas não mentem). Um novo ciclo se inicia e espero ainda ter um longo caminho a percorrer, com saúde e a certeza de que os cremes anti-idade, certamente, serão meus novos amigos nesta caminhada. Permita-se.

