O cinema negro feito por mulheres ocupa as telas, rompe silenciamentos e reivindica seu lugar na história do audiovisual brasileiro. É com essa força que Brasília recebe a VIII Mostra Competitiva de Cinema Negro Adelia Sampaio, de 9 a 14 de novembro de 2026. Em sua oitava edição, o evento reúne 40 produções, entre curtas, médias e longas-metragens, de diferentes territórios e perspectivas, reafirmando a importância de ampliar espaços de exibição, reconhecimento e circulação para narrativas historicamente invisibilizadas. A programação será realizada no Cine Brasília, na Universidade de Brasília (UnB) e no Sesc Presidente Dutra, no Setor Comercial Sul, com sessões também disponíveis on-line pela plataforma UBUPlay. Mais do que uma mostra de cinema, a iniciativa é um espaço de afirmação, memória e resistência, que celebra a autoria de mulheres negras e fortalece sua presença na construção da história e do futuro do audiovisual.
Consolidada como a mais importante mostra brasileira dedicada a esse recorte, a iniciativa chega à sua oitava edição com uma seleção que evidencia a diversidade e a potência da produção audiovisual contemporânea. São realizadoras de 15 estados brasileiros e do Distrito Federal, além de obras de Mali, Burkina Faso, Senegal e Cuba, estabelecendo diálogos entre diferentes realidades, culturas e perspectivas. A programação inclui sessões competitivas, uma mostra paralela dedicada às cineastas homenageadas e duas oficinas de formação audiovisual.
Um dos momentos especiais desta edição será o pré-lançamento do livro infantojuvenil Voos e Sonhos de uma Borboleta, de Adelia Sampaio. A publicação apresenta, por meio de uma narrativa poética, passagens da infância da cineasta, convidando leitores de diferentes gerações a conhecerem um pouco mais de sua trajetória. O lançamento acontece no dia 10 de novembro, às 16h, no Anfiteatro 10 da Universidade de Brasília (UnB), e representa mais uma oportunidade de celebrar a memória, a sensibilidade e o legado de uma das figuras pioneiras do cinema negro brasileiro.
A programação também presta homenagem a Adelia Sampaio e à cineasta Joyce Prado, reunindo obras que atravessam diferentes momentos do audiovisual brasileiro. Com o título Orun e Ayê: Memórias que atravessam o tempo, a mostra paralela propõe um encontro entre gerações de mulheres que fizeram e continuam fazendo história por meio do cinema, valorizando suas contribuições artísticas e a importância de manter vivas essas narrativas.
Para Edileuza Penha de Souza, idealizadora e coordenadora da Mostra, a oitava edição reafirma o compromisso de criar espaços de reconhecimento, circulação e preservação das histórias construídas por mulheres negras no audiovisual.
Para a idealizadora e coordenadora, Edileuza Penha de Souza, “A Mostra reafirma, a cada edição, seu compromisso com a valorização do cinema negro no feminino, atuando tanto como vitrine para novas cineastas e suas produções quanto como espaço de reconhecimento e preservação da memória daquelas que abriram caminhos. Neste ano, ao homenagear Adelia Sampaio, referência fundamental para a história do cinema negro brasileiro e inspiração para a própria existência da Mostra, e Joyce Prado, cineasta cuja trajetória contribui para ampliar os caminhos e as possibilidades de nossa cinematografia, reafirmamos a importância de reconhecer diferentes gerações de mulheres que fazem e fizeram o cinema. São obras que reafirmam a urgência de preservar, exibir e manter vivas as histórias e os legados dessas cineastas”, defende.
Uma abertura para entrar na história
A noite de abertura, no dia 9 de novembro, no Cine Brasília, reserva um encontro especial com a memória do cinema brasileiro. O público terá a oportunidade de assistir, pela primeira vez em mais de quatro décadas, ao curta-metragem Agora Um Deus Dança Em Mim (1981), de Adelia Sampaio. Desaparecida por mais de 40 anos, a obra retorna às telas em uma versão restaurada pela Cinemateca Brasileira.
Realizado por meio de um solo da música Largo, interpretado pela bailarina Tatiana Cobbett, o filme aborda as dificuldades enfrentadas por profissionais da dança que, após concluírem sua formação no Brasil, encontram poucas oportunidades e espaços para apresentar seus trabalhos.
A sessão será completada por Quase da Família (2026), último filme dirigido por Joyce Prado, realizado em 2025. A produção aborda a luta histórica pela regulamentação da profissão de trabalhadora doméstica no Brasil. Joyce faleceu em dezembro de 2025, antes de acompanhar a finalização da obra, que chega à Mostra como parte da homenagem à sua trajetória e contribuição para o audiovisual.
Cinema, formação e novas possibilidades
Além das exibições, a Mostra mantém seu compromisso com a formação e o fortalecimento do setor audiovisual. Em 2026, serão realizadas duas oficinas gratuitas voltadas ao desenvolvimento de projetos e à escrita cinematográfica.
Nos dias 10 e 11 de novembro, Bethânia Maia conduz a oficina Gira sua ideia – desenvolvimento e apresentação de projetos audiovisuais em ambientes de mercado. A atividade propõe orientar os participantes na elaboração, estruturação e apresentação de projetos, considerando as oportunidades de inserção nos mercados nacional e internacional.
Já nos dias 12 e 13 de novembro, Rosa Miranda ministra a oficina Argumento e Roteiro, com uma abordagem prática dos fundamentos da escrita audiovisual. A proposta é que cada participante desenvolva um projeto inicial de roteiro, reunindo uma ideia estruturada, argumento e um conjunto de cenas que permita dar continuidade ao processo criativo.
Premiação e reconhecimento
As produções selecionadas concorrem em diferentes categorias, contemplando ficção, documentário, animação e videoclipe experimental. A seleção considera a duração das obras, divididas entre curtas-metragens e videoclipes, com até 29 minutos; médias-metragens e telefilmes, entre 30 e 69 minutos; e longas-metragens, com duração superior a 70 minutos.
Entre as categorias de premiação estão Melhor Direção, Melhor Atriz, Melhor Roteiro, Melhor Trilha Sonora, Melhor Montagem, Melhor Longa-metragem, Melhor Média-metragem, Melhor Curta-metragem, Júri Popular, Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte e Menção Honrosa.
A identidade visual desta edição é assinada pela artista convidada Nene Surreal, que imprime sua linguagem afrocentrada, marcante e expressiva aos elementos gráficos do evento, traduzindo visualmente a força e a diversidade do cinema negro.
Itaú Cultural amplia a circulação da Mostra
A edição de 2026 também marca um novo passo na expansão da iniciativa. Com o apoio do Itaú Cultural, instituição dedicada à pesquisa, ao mapeamento, à produção e à difusão das manifestações artísticas, a Mostra terá, pela primeira vez, um recorte de sua programação apresentado em São Paulo, no dia 20 de novembro.
Outra novidade é que os filmes premiados nesta edição também poderão ser assistidos na plataforma IC Play, ampliando a circulação das obras e permitindo que produções realizadas por mulheres negras alcancem novos públicos para além das salas de exibição e dos limites geográficos do evento.
A VIII Mostra Competitiva de Cinema Negro Adelia Sampaio conta com o apoio da UnB, FAC, DEX, DEAC, Cine Brasília, Itaú Cultural, Cinemateca Brasileira e Sinagências. A realização é da Sebastiana Mídias e Produções.
Sobre Adelia Sampaio
Filha de mãe solo e criada em colégio interno, Adelia Sampaio mudou-se para o Rio de Janeiro, onde descobriu sua paixão pelo cinema aos 13 anos. Iniciou sua trajetória no audiovisual em 1968, como telefonista na Difilm. De forma autodidata, percorreu diferentes funções técnicas até chegar à produção executiva.
Incomodada com as condições precárias de trabalho nos bastidores do cinema, participou ativamente da mobilização dos profissionais técnicos e teve papel fundamental na criação do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Cinematográfica.
Como diretora e realizadora, enfrentou as barreiras impostas pelo racismo e pela desigualdade de gênero em um setor historicamente marcado pela predominância masculina e branca. Suas obras se destacam pelo compromisso social e pela abordagem de temas como marginalização, racismo, velhice e solidão. Sua trajetória pioneira abriu caminhos para a representatividade negra e feminina no cinema brasileiro.
Sobre a Mostra
Idealizada pela cineasta e professora Edileuza Penha de Souza, a Mostra Competitiva de Cinema Negro Adelia Sampaio teve sua primeira edição em 2017, com a proposta de ampliar a visibilidade e a difusão da produção audiovisual de mulheres negras. Desde o início, o evento se consolidou como um espaço de acolhimento, troca de experiências, formação e valorização do trabalho das realizadoras.
A iniciativa homenageia Adelia Sampaio, primeira cineasta negra brasileira a dirigir um longa-metragem no país, e, ao longo de suas edições, fortaleceu sua atuação como plataforma de reconhecimento e circulação do cinema negro no feminino. Após sete edições, chega a 2026 reafirmando sua relevância no cenário cultural brasileiro e seu compromisso com as novas gerações de cineastas.
SERVIÇO: VIII Mostra Competitiva de Cinema Negro Adelia Sampaio
Data: 9 a 14 de novembro de 2026.
Locais: Cine Brasília, Universidade de Brasília (UnB) e Sesc Presidente Dutra – Setor Comercial Sul.
Formato: presencial e on-line, com sessões na plataforma UBUPLAY.
Lançamento do livro Voos e Sonhos de uma Borboleta, de Adelia Sampaio: 10 de novembro, às 16h, no Anfiteatro 10 da UnB.
Abertura: 9 de novembro, às 19h20, no Cine Brasília.
Encerramento e premiação: 14 de novembro, a partir das 18h, no Sesc Presidente Dutra – Quadra 02, Setor Comercial Sul.
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PROGRAMAÇÃO:
Segunda-feira – 09/11/2026
Abertura
Local: Cine Brasília
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19h20 às 20h10: Falas institucionais
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20h15: Exibição dos filmes de abertura: Agora Um Deus Dança Em Mim – Adelia Sampaio (1981) e Quase da Família – Joyce Prado (2026)
Terça-feira – 10/11/2026
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09h às 12h: Oficina: Gira sua ideia – desenvolvimento e apresentação de projetos audiovisuais em ambientes de mercado
Com Bethânia Maia
Local: Universidade de Brasília – Faculdade de Educação, Auditório Pompeu de Sousa – Subsolo
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14h: Sessão 2 – Territórios da memória (Duração: 90 min)
Local: Universidade de Brasília – Anfiteatro 10.
Filmes:
Memórias Submersas – Thainara Nascimento (DF);
Kondekiê – Kadidiatou Konaké (Mali);
Rua 27 – Gabi Saegesser, Nathalia Flor e Roma Julia (PE);
A minha saudade num retrato eu guardei – Mony Mendonça e Julie Santos (SE);
Herança – Keila-Sankofa (AM);
Vozes da Tradição Kalunga: A Festa de Nossa Senhora de Santana – Marta Kalunga (GO).
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16h: Lançamento do livro Voos e Sonhos de uma Borboleta – Adelia Sampaio
Local: Universidade de Brasília – Anfiteatro 10
Quarta-feira – 11/11/2026
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09h às 12h: Oficina: Gira sua ideia – desenvolvimento e apresentação de projetos audiovisuais em ambientes de mercado
Com: Bethânia Maia
Local: Universidade de Brasília – Faculdade de Educação, Auditório Pompeu de Sousa – Subsolo
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14h30: Sessão 3 – Corpos em travessia, territórios sem paz (Duração: 71 min)
Local: Universidade de Brasília – Anfiteatro 10).
Filmes:
Mia – Traoré Hana Halia Lebo (Burkina Faso);
Nevrose – Ana do Carmo (BA);
Hei de Vencer – Jessica Tavares, Lana Janoti e Rosa Miranda (RJ);
Passagem Única – Raquel de Queiroz (RN);
Entre Frequências – Aline Cristina Rocha e Anna Raquel da Silva (SP).
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15h: Mostra Paralela Homenageadas (Adelia Sampaio e Joyce Prado) – ORUN E AYÊ: MEMÓRIAS QUE ATRAVESSAM O TEMPO (Sessão I / Duração: 113 min) Local: Sesc Presidente Dutra – Unidade Sesc Setor Comercial Sul).
Filmes: Denúncia Vazia – Adélia Sampaio;
Marias – Luedji Luna, Joyce Prado;
Bom mesmo é estar debaixo d’água – Joyce Prado;
Amor Maldito – Adélia Sampaio.
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17h: Sessão 4 – Amar também é inventar uma saída (Duração: 81 min)
Local: Universidade de Brasília – Anfiteatro 10.
Filmes: Rafet – Khadidiatou Sow (Senegal);
Ambivalência – Natacha Maria Oliveira (RJ);
MA MARIÔ – Eu Tô Aqui – Brena Maria e Cadu Marques (MA);
Amor é um rio de águas escuras – Aziza Eduarda (MG);
Não Tem Mar Nessa Cidade – Manu Zilveti (RS);
Ainda escuto o céu embaixo d’água – Alice Lovelace, Céuva, Kalina Flor, Lua de Kendra, Marina Bonifácio, Morgana Neves, Nara Dos Santos, Pérolla Negra e Samantha Araújo (AL).
Quinta-feira – 12/11/2026
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09h às 12h: Oficina de Argumento e Roteiro
Com: Rosa Miranda
Local: Universidade de Brasília – Faculdade de Comunicação, Sala 08 – Térreo
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14h30: Sessão 1 – A realidade não é o bastante (Duração: 108 min)
Local: Universidade de Brasília – Anfiteatro 10.
Filmes: Movido a água – Ana Clara Gomes (GO);
Amadeo e o Hipotético Mundo Novo – Brenda Lígia e Edu Felistoque (codiretor) (PE).
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15h: Mostra Paralela Homenageadas (Adelia Sampaio e Joyce Prado) – ORUN E AYÊ: MEMÓRIAS QUE ATRAVESSAM O TEMPO (Sessão II / Duração: 90 min)
Local: Sesc Presidente Dutra – Unidade Sesc Setor Comercial Sul).
Filmes: Olhar dos anos 60 – Adélia Sampaio;
Banho de Folhas – Luedji Luna, Joyce Prado; Surreal – Joyce Prado;
AI – 5: O Dia Que Não Existiu – Adelia Sampaio e Paulo Markun;
O Mundo de Dentro – Adélia Sampaio.
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17h: Sessão 5 – Terra, ancestralidade e liberdade (Duração: 82 min)
Local: Universidade de Brasília – Anfiteatro 10.
Filmes: Boi Romeiro – Milena Rocha (PI);
COMMENT TE DIRE QUE TU ME MANQUES? – Naddy Gloire Mbizi (PR);
Ladayö – A Árvore Sagrada – Owen Kane (Cuba);
A 7 Palmas da Liberdade – Joyce Cursino (PA).
Sexta-feira – 13/11/2026
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09h às 12h: Oficina de Argumento e Roteiro
Com: Rosa Miranda
Local: Universidade de Brasília – Faculdade de Comunicação, Sala 08 – Térreo
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15h: Sessão 6 – Onde a luz insiste (Duração: 94 min)
Local: Universidade de Brasília – Anfiteatro 10.
Filmes: Cidão – Ale Gama (GO);
Aqui não entra luz – Karol Maia (MG e SP).
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15h: Mostra Paralela Homenageadas (Adelia Sampaio e Joyce Prado) – ORUN E AYÊ: MEMÓRIAS QUE ATRAVESSAM O TEMPO (Sessão III / Duração: 68 min)
Local: Sesc Presidente Dutra – Unidade Sesc Setor Comercial Sul.
Filmes: Adulto não brinca – Adélia Sampaio;
Fábula de Vó Ita – Joyce Prado;
Cartas de Maio (Série) – Joyce Prado;
Terra Afefé – Margareth Menezes, Joyce Prado.
Sábado – 14/11/2026
Local: Sesc Presidente Dutra – Unidade Sesc Setor Comercial Sul
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18h: Encerramento
Apresentação Cultural
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19h30: Premiação