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XIV Bienal Ibero-Americana de Arquitetura e Urbanismo abre em Brasília com defesa da integração e do cuidado com a vida

Cerimônia no SESI Lab reuniu representantes do Brasil, Espanha e Portugal e marcou o início de quatro dias de debates sobre arquitetura, urbanismo e os desafios contemporâneos dos territórios

Por ETC Comunicação
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XIV Bienal Ibero-Americana de Arquitetura e Urbanismo abre em Brasília com defesa da integração e do cuidado com a vida

O curador Nuno Sampaio dá as boas-vindas aos convidados (foto: Samuel Figueira)

Brasília abriu, nesta terça-feira (3), a XIV Bienal Ibero-Americana de Arquitetura e Urbanismo (BIAU), em cerimônia realizada no auditório do SESI Lab. A solenidade reuniu representantes institucionais do Brasil, Espanha e Portugal, além da equipe de curadoria, e marcou o início de quatro dias de encontros e reflexões sobre o papel da arquitetura e do urbanismo na construção de cidades comprometidas com a qualidade de vida. Sob o lema “Cuidar da Vida”, a edição propõe aproximar diferentes experiências e perspectivas dos países ibero-americanos. 

O evento também inaugurou a exposição oficial com trabalhos selecionados de diversas partes do mundo. As obras ficam expostas até dia 15 de novembro na parte externa do SESI Lab e tratam de questões especialmente relevantes para o mundo contemporâneo. Entre elas, a integração da vegetação e da água aos espaços construídos, o fortalecimento da vida comunitária e o acesso à moradia, contribuindo para uma reflexão mais ampla sobre o papel da arquitetura na criação de ambientes habitáveis, inclusivos e sustentáveis.

blankExposição oficial da Bienal com as obras selecionadas (foto: Gustavo Araújo)

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Nuno Sampaio, arquiteto, diretor da Associação Casa da Arquitectura e um dos curadores dos projetos selecionados, destacou o caráter de integração cultural e linguística do encontro e deu as boas-vindas aos participantes vindos de diferentes países. Em sua fala, ressaltou a proximidade entre as línguas portuguesa e espanhola como expressão de uma realidade ibero-americana compartilhada. “Nós, de língua portuguesa, queremos dar as boas-vindas e dizer: estamos juntos. Língua espanhola, língua portuguesa, a realidade ibero-americana”, afirmou.

A dimensão social da arquitetura esteve no centro da fala de Marta Vall-llossera, presidenta do Conselho Superior dos Colégios de Arquitetos da Espanha (CSCAE). Ela chamou a atenção para a responsabilidade dos profissionais diante de desafios como a emergência climática, o envelhecimento da população e as desigualdades territoriais. Para a arquiteta, as decisões sobre os espaços nunca são neutras: a maneira como são planejadas as moradias, as ruas, os equipamentos e os bairros influencia diretamente as oportunidades das pessoas, a qualidade de vida e a relação com a comunidade e o meio ambiente.

Representando o Ministério da Cultura (MinC), Cecília Gomes de Sá, subsecretária de Espaços e Equipamentos Culturais, relacionou o tema da Bienal à defesa da democracia, da diversidade e da dignidade humana. Em sua intervenção, destacou a importância do cuidado com a vida, o meio ambiente, a ciência, a moradia digna e a valorização da diversidade cultural brasileira. Também ressaltou a pluralidade que constitui a identidade do país, formada por diferentes origens, saberes e expressões culturais.

A escolha de Brasília como sede da edição foi destacada pela embaixadora de Portugal no Brasil, Isabel Brilhante Pedrosa. Ao ressaltar a relevância da capital como referência internacional da arquitetura moderna, ela definiu a cidade como uma “joia da arquitetura a céu aberto”. A diplomata também chamou a atenção para o caráter coletivo e internacional da organização desta edição, cuja equipe de curadoria reúne profissionais de diferentes países, em um trabalho construído mesmo à distância e que ganha expressão no encontro presencial em Brasília.

O ministro-conselheiro da Embaixada da Espanha no Brasil, Juan José Escobar, por sua vez, enfatizou a “importância das relações entre Espanha e Brasil nos campos político, econômico, social e cultural”. Também destacou o país como interlocutor estratégico para a Espanha nas discussões sobre arquitetura e urbanismo, tanto pela riqueza de sua tradição arquitetônica quanto pela atuação de seus profissionais e instituições nos debates contemporâneos.

Após a cerimônia institucional, a programação de abertura incluiu a entrega dos Prêmios Trajetória a Gonçalo Byrne, Erminia Maricato e Frederick Cooper Llosa, em reconhecimento às contribuições para a arquitetura e o urbanismo ibero-americanos.

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Na foto, os arquitetos Gonçalo Byrne, de Portugal, Erminia Maricato, do Brasil, e Frederick Cooper Llosa, do Peru. (foto: Samuel Figueira)

Sobre a XIV BIAU

Realizada de 3 a 6 de novembro, em Brasília, a XIV Bienal Ibero-Americana de Arquitetura e Urbanismo reúne arquitetos, urbanistas, pesquisadores, pensadores e agentes culturais de diferentes países para discutir os caminhos da arquitetura e as transformações das cidades e dos territórios. A edição tem como lema “Cuidar da Vida” e organiza sua programação em quatro eixos centrais: água, vegetação, habitação e comunidades, e um quinto tema sobre ‘novos territórios’.

Promovida pelo Ministério da Habitação e Agenda Urbana do Governo da Espanha, em colaboração com o Conselho Superior dos Colégios de Arquitetos da Espanha (CSCAE) e a Fundação Arquia, a Bienal tem curadoria de Nuno Sampaio, Carlos Quintáns Eiras, Fernando Serapião, Matheus Seco Ferreira, Daniel Mangabeira da Vinha e Luciana Saboia.

Ao longo dos quatro dias, a programação inclui conferências, debates, exposições, premiações, percursos arquitetônicos e atividades culturais em espaços como o Teatro Nacional Cláudio Santoro, a Universidade de Brasília (UnB), o Cine Brasília e a Embaixada de Portugal.

SERVIÇO
XIV Bienal Ibero-Americana de Arquitetura e Urbanismo (BIAU)
Data: 3 a 6 de novembro de 2026
Locais: SESI Lab, Universidade de Brasília (UnB), Cine Brasília, Galeria Index, Teatro Nacional Cláudio Santoro e Embaixada de Portugal
Programação: https://bienaliberoamericana.org/ 

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