Julho é marcado pela campanha Julho Laranja, iniciativa que busca conscientizar pais e responsáveis sobre a importância da avaliação ortodôntica infantil e do diagnóstico precoce de alterações no crescimento dos dentes e dos ossos da face. Embora muitas pessoas associem o uso de aparelho ortodôntico apenas à adolescência, diversos problemas podem ser identificados e tratados ainda na infância, evitando complicações futuras e tratamentos mais longos na vida adulta.
Ela foi criada em 2019 e rapidamente ganhou alcance: em 2026, a iniciativa foi oficialmente reconhecida por lei federal como campanha de conscientização sobre a realização do exame ortodôntico anual em crianças de 6 a 12 anos. O movimento também passou a ganhar espaço nas escolas a partir de 2020, impulsionado por ações educativas, programas de prevenção e iniciativas legislativas voltadas à saúde bucal infantil. No Distrito Federal, por exemplo, uma lei sancionada, também em 2020, passou a prever avaliações ortodônticas anuais para estudantes da rede pública nessa faixa etária, fortalecendo a disseminação do tema no ambiente escolar e ampliando o acesso ao diagnóstico precoce.
De acordo com a dentista Luísa Elita Casado, a primeira avaliação ortodôntica deve ocorrer por volta dos seis ou sete anos de idade, período em que a criança começa a apresentar a dentição mista, com dentes de leite e permanentes convivendo na boca.
“Nessa fase já é possível identificar alterações no desenvolvimento dos maxilares, problemas de mordida e hábitos que podem interferir no crescimento facial. Quanto mais cedo essas condições forem diagnosticadas, maiores são as chances de uma intervenção simples e eficaz”, explica.
Entre os sinais que merecem atenção dos pais estão dentes muito apinhados, mordida cruzada, mordida aberta, dificuldade para mastigar, respiração pela boca, ronco frequente, além do uso prolongado de chupeta e mamadeira.
Segundo a especialista, a respiração bucal é uma das alterações mais comuns observadas durante as consultas e pode impactar diretamente o desenvolvimento da face e a qualidade de vida da criança. Além disso, o problema pode estar associado a distúrbios do sono, como apneia e copineia, contribuindo para noites mal dormidas, cansaço excessivo durante o dia, irritabilidade e dificuldades de atenção.
“Muitas pessoas não sabem, mas respirar pela boca pode influenciar o crescimento dos ossos da face, favorecer alterações na mordida e até prejudicar o sono e o rendimento escolar. Por isso, a avaliação precoce é tão importante”, destaca Luísa Elita.
A dentista explica que nem toda criança precisará utilizar aparelho ortodôntico logo nos primeiros anos de vida. Em muitos casos, o acompanhamento periódico permite apenas monitorar o crescimento e intervir no momento adequado, quando for necessário.
“O objetivo da ortodontia preventiva não é colocar aparelho em todas as crianças, mas identificar precocemente possíveis alterações e orientar a família sobre a melhor conduta. Em alguns casos, pequenas intervenções realizadas no momento certo podem evitar tratamentos muito mais complexos no futuro”, afirma.
Além dos benefícios estéticos, a correção precoce de alterações ortodônticas pode contribuir para uma mastigação mais eficiente, melhor desenvolvimento da fala, respiração adequada e equilíbrio funcional da face.
Para a especialista, o Julho Laranja é uma oportunidade para ampliar o acesso à informação e reforçar a importância da prevenção.
“Assim como os pais acompanham o crescimento e a saúde geral dos filhos, o desenvolvimento da arcada dentária e da face também merece atenção. O diagnóstico precoce é um dos principais aliados para garantir saúde bucal e qualidade de vida ao longo dos anos”, conclui.

