O Samba da Tia Zélia (STZ) se prepara para um dos momentos mais marcantes de sua trajetória: a gravação do Audiovisual STZ – O Primeiro. O evento acontece no sábado (26/9), a partir das 17h, no Complexo Em Casa (Parque da Cidade). Além da roda comandada pelo coletivo, a programação conta com show de encerramento de Breno Alves e Banda e discotecagem do DJ Umiranda. Os ingressos já estão disponíveis no Sympla.
Nascido de forma espontânea em maio de 2022 na Vila Planalto, o projeto é idealizado pela publicitária Melissa Silva e pelo jornalista Marcelo Ribeiro. Ao longo de mais de 100 edições, o STZ se estabeleceu como um espaço de celebração do samba de raiz, pautado pelo acolhimento, pelo protagonismo feminino e por posições firmes contra qualquer tipo de discriminação. O Audiovisual STZ – O Primeiro será uma celebração de todo esse legado construído ao longo desses anos e dos valores defendidos pelo grupo.
Além de clássicos do samba, o repertório também vai passar por canções autorais inéditas e outras já conhecidas pelo público cativo da tenda da Vila Planalto e de outras apresentações do grupo, em Brasília e no Rio de Janeiro.
Vila Planalto, Rio e Bahia
A gravação do audiovisual reflete o intercâmbio cultural que o STZ vem cultivando com diferentes polos do samba brasileiro. Do Rio de Janeiro, a tenda da Vila Planalto já recebeu nomes e parceiros como, Grupo Arruda, Nego Álvaro, Inácio Rios, Mosquito, Marcelle Motta e Marina Íris. Essas trocas se desdobraram em apresentações do coletivo brasiliense em espaços tradicionais do samba carioca, como o Casarão do Firmino, Vaca Atolada e Renascença — este último a convite do Grupo Arruda Para a gravação de seu projeto audiovisual de 20 anos.
De Salvador, o Samba da Tia Zélia teve a honra de receber diversas vezes Mestre Nelson Rufino, um dos maiores nomes vivos do samba baiano, que atravessa a identidade musical da roda. Essa soma de influências se reflete na escolha das atrações convidadas: o cantor, compositor e pesquisador Breno Alves com sua banda, além das seleções do DJ Umiranda.
“Sonhamos por muito tempo com esse momento, com esse marco, que é a gravação do audiovisual. As expectativas são altas, mas entendemos que é apenas uma arrancada para um novo ritmo. É uma nova fase da caminhada do coletivo que surgiu na Vila Planalto e vem ganhando muitos espaços em Brasília e no Brasil”, afirma Marcelo Ribeiro, que também revela que o Samba da Tia Zélia busca levar o batuque da Vila Planalto para outros unidades da federação, além de retornar para outras apresentações na Cidade Maravilhosa.
“Gravar o primeiro audiovisual do Samba da Tia Zélia é muito mais do que registrar músicas. É registrar a nossa história. É olhar para tudo que construímos até aqui — cada roda, cada palco, cada músico, cada encontro e cada pessoa que escolheu viver o STZ com a gente — e transformar tudo isso em memória. Não estamos apenas gravando um audiovisual. Estamos guardando um pedaço da nossa história juntos”, avalia Melissa Silva.
Virada de chave
Yara Alvarenga é integrante do STZ desde quando o grupo batucava sem pretensões, na tenda da Vila Planalto. Responsável pela marcação do compasso com o surdo, a sambista diz que a gravação do audiovisual inaugura uma nova fase para o grupo. “Representa um marco da nossa história, da transição do tempo que era apenas diversão, para uma fase mais profissional. Estamos registrando tudo que vivemos nesses anos e abrindo isso para o mundo”, assinala Yara.
Já o pandeirista e cantor André Silveira diz que a expectativa é de que o projeto represente uma virada de chave na vida de todos os envolvidos no STZ. “Um novo ciclo com novas aventuras, novas conquistas e que seja o primeiro de muitos, com gravações em outras cidades e com grandes nomes do samba brasileiro dividindo a roda com a gente”, anseia André, que também é um dos compositores do grupo.
Cenografia e valores
Para abrigar o registro, a escolha do Complexo Em Casa, na Ilha da Lagoa dos Patos, busca unir a vivência do samba ao ar livre à proposta cenográfica assinada por Babi Pina. Com elementos artesanais e o conceito de “feito à mão” – como o próprio Samba da Tia Zélia –, a estrutura acolhe o público desde o acesso.
Na entrada, bandeirões trazem os “NÃOS” do coletivo — posicionamentos inegociáveis contra o racismo, machismo, misoginia, LGBTfobia, capacitismo, etarismo, xenofobia, gordofobia e intolerância religiosa.
“A gente pensou na maior imersão possível das pessoas no ambiente. Então a gente tem cenografia da entrada até atrás do palco. A intenção é que o público se sinta acolhido, em um lugar bonito e confortável. Quero que as pessoas se sintam em casa e encantadas”, revela a cenógrafa.
O espaço do Complexo Em Casa aprofunda o sentimento de pertencimento em um dos locais mais amados da nossa cidade. “Não foi difícil escolher o Complexo Em Casa. É relação de confiança, apoio mútuo, de amor pela cultura e pelo público. Não bastasse isso, eles ainda ocupam um cantinho do Parque da Cidade que mexe no coração”, explica Marcelo Ribeiro.
Serviço – Audiovisual STZ – O primeiro
Data: sábado, 26 de setembro, a partir das 17h
Local: Complexo Em Casa (Parque da Cidade – Estacionamento 10, Ilha da Lagoa dos Patos)
Atrações: Samba da Tia Zélia, Breno Alves e Banda, DJ Umiranda
Ingressos: https://www.sympla.com.br/
Classificação: Livre
